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Livro de escritora baiana reafirma o amor entre mulheres como força política

Lançamento da obra em Salvador terá a distribuição gratuita de 100 exemplares e contará com a leitura de trechos feita por artistas das palavras e atrizes
A escritora baiana Amanda Julieta.

A escritora baiana Amanda Julieta.

— Ana Reis/Divulgação

22 de fevereiro de 2026

A escritora baiana Amanda Julieta lança no dia 7 de março, às 14h, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, o livro de contos “Monstruosa”, uma obra potente que subverte estigmas históricos lançados sobre corpos dissidentes e afirma o amor entre mulheres como força política, ética e vital.

O lançamento, que terá a distribuição gratuita de 100 exemplares, contará com a leitura de trechos do livro feita por artistas das palavras e atrizes, entre elas, as poetas Bruna Silva e Louise Queiroz, e mediação da professora de letras Fernanda Miranda, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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Com uma escrita que transita entre a prosa poética, o fluxo de consciência e a narrativa fragmentada, Monstruosa constrói um mosaico de histórias atravessadas por violência estrutural, cuidado, desejo, luto e reinvenção. As personagens — mulheres negras, lésbicas ou bissexuais — vivem experiências que oscilam entre o íntimo e o coletivo, revelando estratégias de sobrevivência em um mundo marcado pelo racismo, pela lesbofobia, pela violência policial e pela precarização da vida.

Na obra, o leitor conhecemos protagonistas com diversas perspectivas, visões do mundo e experiências: uma adolescente no subúrbio de Salvador descobre a sua sexualidade incendiada; uma mulher enfrenta desafios corriqueiros para conseguir chegar em casa e levar um presente para a sua companheira; um casal tenta fazer sentido dos seus sentimentos no meio do cotidiano e os mistérios que o amor traz; as memórias de um relacionamento se transbordam em uma carta.

Um título que provoca deslocamentos

O próprio título da obra funciona como um gesto de enfrentamento. Monstruosa é um livro sobre destruir para criar — outros afetos, outros mundos possíveis, outras formas de permanecer viva. A obra, que conta com uma orelha escrita pela escritora Natália Borges Polesso, sai pela ParaLeLo13S, editora da livraria Boto-cor-de-rosa.

Para Amanda Julieta, o livro é um título que busca provocar um deslocamento na forma como mulheres que amam outras mulheres foram historicamente lidas na nossa sociedade. “O que há de monstruoso em uma mulher que só quer chegar em casa em segurança e jantar com a companheira e o filho na noite de Natal?. Elas não são monstros destruidores da família tradicional, mas mulheres que decidiram viver suas vidas de acordo com os seus próprios termos”, tensiona a autora.

Os contos de Monstruosa não se organizam por uma linearidade narrativa tradicional. A fragmentação aparece como escolha estética e política, espelhando modos de existir marcados por rupturas, silêncios e recomposições constantes. “Os contos dialogam menos por continuidade narrativa e mais por ressonância. Os contos foram pensados como partes de um mesmo corpo. Cada história ilumina a outra, o que convida o leitor a construir vínculos entre as narrativas”, destaca Amanda Julieta.

Entre o real e a fabulação

As histórias de Monstruosa transitam em um território ambíguo entre realidade e ficção. Essa escolha aproxima o leitor de experiências que, embora literárias, carregam o peso de um cotidiano reconhecível. “Nesse livro, tudo é real e inventado. Algumas histórias eu realmente ouço por aí, mas elas nunca são desenvolvidas da maneira como eu as escuto. A ideia do conto ‘Chocolates’, por exemplo, veio de uma conversa que ouvi na rua sobre uma abordagem truculenta da polícia”.

É também um livro sobre esperança. “É uma esperança radical, que nasce da reinvenção coletiva. O livro nasce desse tensionamento entre a brutalidade do presente e a necessidade urgente de inventar outras formas de existir, de amar e de permanecer vivas. As estratégias de sobrevivência aparecem em gestos mínimos: alianças entre mulheres, redes de cuidado, memória, fuga, invenção de novas linguagens para o afeto”, define Amanda Julieta.

Ao final da leitura, Amanda Julieta espera que o público leve consigo mais do que histórias individuais. “Espero que a pessoa leitora termine ‘Monstruosa’ atravessada pela potência do amor entre mulheres — não como ideal romântico, mas como força política, ética e vital, uma tecnologia de sobrevivência e de imaginação de futuro”, exclama a autora.

Serviço

Lançamento do livro “Monstruosa”, de Amanda Julieta
Quando: 7 de março, às 14h
Onde: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) | Centro Histórico de Salvador – BA

Entrada: Gratuita

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