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SP: moradores de Perus se mobilizam para barrar incinerador de lixo

Comunidade denuncia riscos ambientais e ameaça à área de preservação de terras indígenas próximas, além da falta de consulta pública
O Refúgio da Vida Silvestre (RVS) Anhanguera, em Perus, na cidade de São Paulo.

O Refúgio da Vida Silvestre (RVS) Anhanguera, em Perus, na cidade de São Paulo.

— Reprodução/Daniel Reis

30 de março de 2026

O movimento “Incinerador de Lixo em Perus, Não”, formado por moradores da região e ativistas ambientais, se mobiliza contra a apresentação do projeto que prevê a instalação de um incinerador de lixo no bairro de Perus, na zona norte de São Paulo. O tema será debatido em audiência pública marcada para terça-feira (31), no CEU Perus.

A iniciativa informa que o equipamento deve ser construído ao lado da unidade de conservação Refúgio de Vida Silvestre (RVS) do Parque Anhanguera e próximo à Terra Indígena do Jaraguá, o que tem gerado revolta entre moradores. 

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Segundo o movimento, a população não foi consultada previamente sobre a implementação do projeto, o que indica falta de transparência e de participação democrática.

O local previsto para a instalação do incinerador fica a cerca de 7 km das terras indígenas do Jaraguá, habitadas pelo povo Guarani Mbya, que, de acordo com o movimento, também não teria sido consultado.

Conforme diretrizes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), dependendo da localização do empreendimento, órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) devem ser envolvidos no processo de licenciamento ambiental federal.

Em nota, o coletivo afirma ainda que o projeto representa um retrocesso para as políticas ambientais e climáticas. Batizado de Unidade de Recuperação Energética (URE) Bandeirantes, o projeto é de responsabilidade da Loga, concessionária responsável pela coleta de resíduos sólidos urbanos na capital, e já está em fase de aprovação na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Leia mais: Moradores denunciam instalação de incinerador de lixo perto da Mata Atlântica em São Paulo

Além de denunciar os impactos do projeto, o movimento reivindica a realização de uma consulta pública com a população local. Entre as demandas, estão maior transparência por parte da Prefeitura e da concessionária, a implementação das metas do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS) de São Paulo, a criação de unidades de compostagem, o fortalecimento da coleta seletiva, a formação de cooperativas e o aumento do financiamento do projeto Cinturão Verde Noroeste.

Segundo o movimento, o empreendimento também pode contribuir para problemas de saúde pública e riscos ambientais. 

Para a engenheira e moradora do bairro Sirlei Bertolini Soares, integrante do Conselho Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades), a região abriga um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica da cidade. 

O Parque Anhanguera é o segundo maior parque municipal da capital, com cerca de 9,5 milhões de metros quadrados e pode ser afetado.

“Estudo de Impacto Ambiental apresentado pela Loga mostra que a área de influência do incinerador pode afetar indiretamente o Refúgio da Vida Silvestre e todo o bairro de Perus, que pode sofrer principalmente pela poluição do ar”, afirma.

De acordo com o relato de moradores, a área prevista para o projeto possui histórico de contaminação por gases tóxicos, como metano e dióxido de carbono, o que representaria um risco ambiental elevado.

“Construir um incinerador sobre ou próximo a um local com presença de gás inflamável como um aterro sanitário que ainda gera biogás metano — que é altamente inflamável e ainda pode estar acumulado no subsolo — é uma atividade potencialmente perigosa, criando riscos de explosão e incêndio em grande escala. Só poderia ser reutilizado com base em estudos técnicos que monitorem a qualidade da água e do solo”, alerta a química e moradora Thaís Santos,  também cofundadora da Comunidade Cultural Quilombaque e conselheira da WWF-Brasil.

Ainda segundo o movimento, a exposição contínua a emissões de incineradores pode estar associada a diversos riscos à saúde, tanto para moradores do entorno quanto para trabalhadores, especialmente entre grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos.

O movimento também chama atenção para outros projetos semelhantes na cidade. Um deles está previsto para o bairro de São Mateus, na zona leste, onde a empresa Ecourbis propõe a instalação de um incinerador e a supressão de mais de 63 mil árvores. 

Na região, moradores se organizam na Frente Popular Contra a Ampliação do Aterro de São Mateus. O Ministério Público já solicitou à Justiça a suspensão da ampliação do aterro sanitário no bairro.

Leia mais: Saúde de moradores da periferia é afetada por desigualdade em São Paulo, afirma estudo

Serviço
Audiência Pública sobre o Incinerador de Lixo em Perus
Data: 31 de março de 2026 (terça-feira)
Horário: 17h
Local: CEU PERUS – Rua Bernardo José de Lorena, s/n, próximo à estação de trem de Perus

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  • Thayná Santana

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