O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs a criação de um “mapa do caminho” para orientar os países na eliminação gradual dos combustíveis fósseis, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorrerá em Belém (PA) entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025.
A proposta busca acelerar a transição energética global em meio ao agravamento da crise climática e à dificuldade das nações em cumprir o Acordo de Paris.
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A defesa de Lula ocorre num contexto em que a Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que o planeta deve registrar novos recordes de temperatura em 2025 e admite que o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5ºC dificilmente será atingido. O cenário se agravou com a nova retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, determinada pelo presidente Donald Trump.
Lula afirmou que a ausência de metas práticas tem dificultado o avanço das negociações climáticas e defendeu um plano que combine prazos e metas específicas para cada país.
“É preciso propor um mapa do caminho porque a gente fala muito sobre diminuir os combustíveis fósseis, mas não avança. Não é uma coisa fácil”, disse o presidente.
O Brasil, oitavo maior produtor de petróleo do mundo, tenta equilibrar a agenda ambiental com a exploração de novas áreas, como a Foz do Amazonas. Segundo o Instituto Talanoa, o país deve apostar em compromissos voluntários, enquanto busca liderar a formulação de políticas globais de transição energética.
Apoio europeu e críticas aos grandes poluidores
A proposta brasileira recebeu apoio de países como França e Antígua e Barbuda. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que cada nação deve apresentar seu plano nacional para o abandono progressivo dos combustíveis fósseis. Já o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne, criticou as grandes potências econômicas por continuarem “a destruir deliberadamente o meio ambiente marinho e terrestre”.
Para analistas, a proposta de Lula sinaliza um esforço político para fortalecer o protagonismo brasileiro nas negociações climáticas, ainda que a COP30 não deva resultar em um consenso formal sobre a eliminação das fontes fósseis.
Ainda durante o evento, o Brasil anunciou a criação de um fundo internacional para financiar a preservação das florestas tropicais. O mecanismo reunirá recursos de diferentes países e instituições multilaterais para apoiar projetos de conservação e combate ao desmatamento.
A Noruega confirmou aporte de 3 bilhões de dólares (cerca de R$ 16 bilhões), enquanto Brasil e Indonésia contribuirão com 1 bilhão de dólares cada (R$ 5,3 bilhões). A França também participará, com investimento de 575 milhões de dólares (R$ 3 bilhões).
“O desmatamento é um dos principais motores do aquecimento global. Proteger as florestas é essencial para reduzir os impactos climáticos”, afirmou o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre.