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MPF investiga se verba federal financiou chacina nos complexos do Alemão e da Penha

Procurador pede informações ao governo federal e ao estado do Rio de Janeiro sobre possível uso de verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública na Operação Contenção, que resultou em 121 mortes
Bandeira do Brasil manchada com tinta vermelha.

Bandeira do Brasil manchada com tinta vermelha.

— Fernando Frazão/Agência Brasil

5 de novembro de 2025

O Ministério Público Federal (MPF) requisitou ao estado do Rio de Janeiro e à União informações sobre o eventual uso de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) na Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha em 28 de outubro. O MPF pretende verificar se, em caso de financiamento da operação policial, houve desvio de finalidade ou incompatibilidade com o objetivo legal do fundo.

Criado pela Lei nº 10.201/2001, o FNSP financia ações de prevenção da violência, inteligência policial e redução da letalidade. A legislação veda seu uso para gastos administrativos ou custeio de pessoal, exigindo planos de aplicação alinhados à Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social. 

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A ação, considerada a mais letal já registrada no país, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e resultou na morte de 121 pessoas. O procedimento cumpre determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635, a “ADPF das Favelas”, que atribuiu ao órgão o acompanhamento da destinação e da execução das verbas federais destinadas à segurança pública no Rio, com atenção especial a políticas de redução de letalidade policial.

Objetivo da apuração

No despacho, o procurador da República Eduardo Benones afirma que é necessário esclarecer se houve financiamento, mesmo parcial, da operação com recursos do FNSP antes do avanço das medidas de fiscalização já previstas.

O MPF solicitou à Secretaria Nacional de Segurança Pública informações sobre repasses ao estado, instrumentos utilizados, planos de aplicação, execução financeira e eventual compra de equipamentos empregados na operação, como veículos e câmeras corporais. Também requisitou dados ao Comitê Gestor do FNSP sobre mecanismos de controle e registro de irregularidades.

À Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio (Sesp/RJ), o MPF pediu relatório completo da operação, detalhamento das unidades envolvidas, identificação de equipamentos de origem federal e esclarecimentos sobre as medidas adotadas para preservação de imagens de câmeras corporais.

Violações e perda de provas

O procurador Eduardo Benones observa que a operação resultou em um número elevado de mortes — 121 oficialmente — e em relatos de uso excessivo da força, mutilações e execuções sumárias.

O despacho enfatiza que, caso confirmadas as informações, o episódio poderá configurar grave violação de direitos humanos, com risco de responsabilização internacional do Estado brasileiro.


O documento também aponta que parte das imagens capturadas pelas câmeras corporais utilizadas pelos policiais teria sido perdida, sob a alegação de descarregamento das baterias. Para o MPF, a ausência desses registros reforça a necessidade de apuração, pois compromete a transparência e o controle da atuação policial.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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