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MPF pede federalização de investigações sobre chacina com 122 mortes no Rio

Representação enviada à PGR aponta suspeitas de execuções, tortura e conflito de interesses na apuração conduzida por órgãos estaduais
Carros queimados após operação na favela Vila Cruzeiro, no complexo da Penha, Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025.

Carros queimados após operação na favela Vila Cruzeiro, no complexo da Penha, Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025.

— AFP

19 de dezembro de 2025

O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que as investigações da Operação Contenção, deflagrada em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, sejam transferidas para a Justiça Federal. 

A chacina deixou 122 mortos: cinco policiais e 117 civis, segundo a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

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O procurador da República Eduardo Santos de Oliveira Benones, coordenador do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial, assinou o documento. Entre as justificativas para o pedido de federalização, ele cita a “participação direta de membros do Ministério Público estadual no planejamento da megaoperação”, o que, segundo o MPF, poderia interferir na imparcialidade da investigação.

O procurador afirmou que há suspeita de uso excessivo da força e de execuções após a rendição. Ele citou imagens enviadas por moradores dos dois complexos que mostrariam “corpos decapitados, mutilações, facadas e pessoas algemadas mortas”. Benones argumentou que há indícios de tortura e que o Brasil pode ser responsabilizado em cortes internacionais por violações de direitos humanos.

O MPF também relatou a perda de parte das gravações das câmeras corporais usadas pelos agentes, atribuída a “falhas técnicas”. Outro ponto destacado foi a informação da Defensoria Pública sobre restrições para acompanhar necropsias no Instituto Médico-Legal.

Trâmite decisório e possível mudança na apuração

A representação foi encaminhada para o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Caso ele concorde com os argumentos do MPF, o pedido será enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), órgão que decidirá sobre a federalização.

Se o STJ autorizar a medida, as investigações sairão da esfera estadual, atualmente sob responsabilidade da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público estadual, e passarão para a Polícia Federal, o MPF e a Justiça Federal. 


A Operação Contenção mobilizou cerca de 2.500 agentes da força de segurança do Rio de Janeiro e usou helicópteros, drones e veículos blindados.  O governador Cláudio Castro (PL) afirmou ao STF que apenas 60 dos 128 policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) usaram câmeras corporais.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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