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JBS é processada por vínculo com trabalho escravo no Pará

Empresa manteve negócios com sete pecuaristas flagrados em operações de resgate; ação pede indenização de R$ 118,9 milhões e 44 medidas de fiscalização
Placa da empresa JBS.

Placa da empresa JBS.

— Reprodução/JBS

30 de abril de 2026

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou com ação civil pública contra a JBS S.A. na Vara do Trabalho de Xinguara (PA). A investigação do órgão constatou que a empresa possui, em sua cadeia produtiva na pecuária, mão de obra em condições análogas à escravidão.

Entre 2014 e 2025, houve resgate de trabalhadores em propriedades de pecuaristas diretamente vinculados à JBS nos municípios paraenses de Ourilândia do Norte, São Félix do Xingu, Novo Repartimento, Pacajá, Brasil Novo, Uruará e Cumaru do Norte. O total de resgatados chegou a 53 pessoas. 

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Mesmo com conhecimento da situação, a JBS manteve transações comerciais com esses fornecedores incluídos na “Lista Suja” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O MPT classificou a conduta como “demonstração de um padrão sistemático de negligência”.

A ação integra o Projeto Reação em Cadeia, iniciativa do MPT para rastrear e responsabilizar empresas líderes de cadeias produtivas que se beneficiam do trabalho escravo em suas relações comerciais. O rastreamento da cadeia da JBS cruzou dados fiscais com a “Lista Suja” do MTE e relatórios de fiscalizações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM). 

Um estudo da Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento (PADF) permitiu o mapeamento dos fluxos comerciais entre fornecedores e produtores de carne bovina no Pará.

A documentação das transações financeiras entre a JBS e os empregadores flagrados foi anexada aos relatórios da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (CONAETE/MPT). 

Os dados, obtidos por meio de consultas ao Ministério da Agricultura e Pecuária e à Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (ADEPARÁ), demonstram a inexistência ou ineficácia de medidas de diligência em direitos humanos por parte da empresa.

Leia mais: Premiadas durante a COP30, JBS, Braskem e Suzano têm histórico de violar direitos humanos e ambientais

O que o MPT pede

A ação requer a condenação da JBS ao pagamento de indenização por danos morais coletivos de no mínimo R$ 118.941.340,55. O valor corresponde ao total das transações comerciais documentadas com fornecedores flagrados por trabalho análogo à escravidão no período investigado.

O MPT também exige a imposição de obrigações de fazer e de não fazer à empresa, suas subsidiárias, filiais, subcontratadas e fornecedores diretos ou indiretos localizados no Pará. São 44 diretrizes no total.

A empresa, na condição de líder do setor, tinha o dever de monitorar todas as etapas de sua cadeia produtiva. A legislação nacional e internacional impõe práticas para prevenir, identificar e corrigir violações aos direitos trabalhistas fundamentais.

Segundo o MPT, o setor da pecuária bovina acumula o maior número de trabalhadores resgatados no país. Na região amazônica, a atividade está associada ao desmatamento ilegal, à grilagem de terras e à ocupação de territórios indígenas.


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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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