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Trabalho análogo à escravidão atinge majoritariamente homens negros no Brasil, diz balanço oficial

Dados de 2025 do Ministério do Trabalho mostram que 83% dos trabalhadores resgatados são negros; resgates em áreas urbanas superam os rurais pela primeira vez
Trabalhador na fabricação de carvão, atividade recorrente na lista de trabalhos análogos à escravidão.

Trabalhador na fabricação de carvão, atividade recorrente na lista de trabalhos análogos à escravidão.

— Reprodução

29 de janeiro de 2026

Dados oficiais de 2025, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revelam que 83% dos trabalhadores resgatados de trabalho análogo à escravidão no Brasil se autodeclaram negros (pretos ou pardos) e 86% são homens. 

Segundo o boletim, a faixa etária com maior número de resgates está entre 30 e 39 anos. A maioria das vítimas reside na região Nordeste, que concentra 65% dos casos, com destaque para o Maranhão. Em relação à escolaridade, 68% das pessoas resgatadas possuem baixa escolaridade, 24% concluíram o ensino médio e 8% são analfabetas.

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A diretora do Departamento de Fiscalização do Trabalho, Dercylete Loureiro, afirmou na divulgação que o perfil revela “trajetórias marcadas por vulnerabilidades históricas”. Ela destacou casos de trabalhadores domésticos que permaneceram em condições análogas à escravidão por décadas, alguns desde a infância

Para a diretora, o aumento aparente nos números reflete um aperfeiçoamento das estratégias de fiscalização, que agora alcançam pessoas antes invisibilizadas, especialmente em áreas urbanas.

Em 2025, ano em que o Brasil completou 30 anos do reconhecimento oficial da existência de trabalho escravo contemporâneo, o governo realizou 2.772 resgates em 1.594 operações fiscais. As vítimas receberam mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias. Além dos resgatados, mais de 48 mil trabalhadores tiveram direitos trabalhistas assegurados pelas fiscalizações.

O maior resgate individual do ano libertou 586 trabalhadores de uma usina de etanol em Porto Alegre do Norte (MT), após um incêndio em alojamentos superlotados e sem condições básicas. Os trabalhadores relataram jornadas de até 16 horas diárias.

Os estados com mais ações fiscais foram São Paulo (215), Minas Gerais (145), Rio de Janeiro (123), Rio Grande do Sul (112) e Goiás (102). Já os que tiveram mais trabalhadores resgatados foram Mato Grosso (607), Bahia (482), Minas Gerais (393), São Paulo (276) e Paraíba (253).

Mudança no padrão da exploração

Pela primeira vez, o número de resgates em áreas urbanas foi maior que no meio rural, representando 68% do total. As fiscalizações identificaram situações de exploração em setores diversos, como construção civil, administração pública, indústria, mineração ilegal, agricultura e trabalho doméstico. A mudança indica que a prática não está mais restrita a atividades rurais tradicionais.

Outro indicador do aumento na capacidade de detecção foi o recorde de denúncias no Disque 100. O canal recebeu 4.516 denúncias de trabalho escravo em 2025, um aumento de 14% em relação a 2024. Este é o maior patamar anual desde que o serviço passou a receber registros específicos para esse crime, em 2011.

O coordenador-geral de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério dos Direitos Humanos, Paulo Cesar Funghi, vinculou o crescimento a uma maior conscientização da população. 


“A elevação dos números evidencia uma população mais consciente e menos receosa de denunciar”, afirmou em nota. A coordenadora-geral do Disque 100, Franciely Loyze, acrescentou que o caráter sigiloso do canal também impulsiona os registros.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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