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Nova presidente da UBES, Roberta Pontes quer combater militarização das escolas

Jovem do Recife foi eleita durante o 46º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e se destacou em mobilizações pela revogação da reforma do Ensino Médio
Roberta Pontes, presidente da UBES.

Roberta Pontes, presidente da UBES.

— Divulgação/Bernardo Guerreiro

25 de abril de 2026

Estudantes secundaristas, do ensino médio, técnico e preparatório de todo o país, elegeram Roberta Pontes como nova presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Aluna do curso técnico de Desenvolvimento de Sistemas na Escola Técnica Estadual Cícero Dias, no Recife, a jovem foi eleita pela chapa “Secundarista, seu nome é Povo na Rua”, com 3.238 votos, o equivalente a 87,01% do total de delegados credenciados e aptos a votar.

Também participou da eleição a chapa Oposição Unificada, que obteve  474 votos. O pleito ocorreu durante o 46º Congresso da UBES, realizado em São Bernardo do Campo (SP) entre os dias 16 e 19 de abril e que reuniu mais de 7 mil pessoas.

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Roberta Pontes foi tesoureira da UBES na última gestão da entidade e também presidiu a União Metropolitana dos Estudantes de Pernambuco. Teve destaque no seu estado em mobilizações pela revogação da reforma do Ensino Médio e pela qualidade da merenda escolar na rede pública de ensino.

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Agora, promete ser contra a crescente militarização escolar no Brasil. “Nós seremos os inimigos número um daqueles que querem transformar a escola em quartel e num espaço de autoritarismo. A escola para nós é um lugar de fortalecer a democracia, emancipar o povo e construir a nação”, afirmou a estudante. 

Negra, periférica e cria do bairro do Ibura, no Recife, Roberta tem lembranças marcantes, porém desafiadoras, sobre o seu território e sobre a infância em uma região vulnerável.

“Quando eu tinha oito anos, na escola, pediram para as crianças desenharem elas mesmas. Eu me desenhei e colori com a cor da pele negra, escura, como eu sou mesmo. A professora mandou apagar, disse que estava errado.”

O trauma racial de muitas crianças pretas e pobres do Brasil ao se perceberem “erradas” desde muito cedo, não impediu que Roberta, filha de uma grande família batalhadora do Ibura, crescesse rodeada de sonhos.

Apaixonou-se pelo teatro, pela dança, pela pintura, pela moda e pelas feiras de ciência, tudo que fosse criativo e principalmente coletivo em seu universo de estudante. Roberta descobriu-se enquanto uma menina capaz de agregar, mobilizar, reunir mais e mais gente em torno de objetivos comuns.

Com apoio da mãe, Roberta participou de seu primeiro encontro estudantil em Brasília, no ano de 2022. Naquela altura, ela já tinha organizado uma grande mobilização, na sua escola, em defesa de mais ventiladores para as salas de aula, confinadas sob telhas infernais de fibrocimento e com grande prejuízo para o aprendizado e a dignidade dos estudantes e professores.

Na verdade, Roberta já era uma líder estudantil, mas a viagem para Brasília era algo bem maior. “Era também a minha primeira viagem sozinha na vida. Ali tudo mudou”, contou.

Em relação ao debate educacional no país, a nova presidente da UBES destacou que as discussões devem acompanhar, sempre, a mobilização por mais estrutura e mais investimentos.

“Quando falamos de estrutura, falamos inclusive de ter uma escola mais segura, que é um dos grandes temas do Brasil atualmente. Não é militarizar, é investir, a escola mais segura é a escola com um bom projeto pedagógico, com bons equipamentos, professores ganhando bem, tudo isso junto”.

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