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Moradores de Perus dizem ser excluídos de audiência sobre incinerador de lixo

Comunidade de São Paulo relata que 500 moradores foram impedidos de participar audiência pública convocada pela gestão municipal e estadual
Protesto de moradores do bairro de Perus, em São Paulo, no dia 31 de março de 2026.

Protesto de moradores do bairro de Perus, em São Paulo, no dia 31 de março de 2026.

— Reprodução/Instagram/Incinerador de Lixo em Perus, não

3 de abril de 2026

A comunidade do bairro de Perus, na região noroeste de São Paulo, denunciou ter sido excluída da primeira audiência para debater os impactos da implementação de um incinerador de lixo na região. A informação foi divulgada pela Agência Brasil na quinta-feira (2).

A reunião, convocada pela prefeitura e pelo governo estadual, ocorreu na terça (31) e tinha caráter consultivo sobre o projeto Unidade de Recuperação de Energia (URE) Bandeirantes, pertencente à empresa Logística Ambiental São Paulo S.A. (Loga), responsável pelo tratamento de resíduos de saúde.

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Anteriormente, o movimento “Incinerador de Lixo em Perus, não”, formado pela população e por ativistas ambientais, se manifestou contra a implementação do incinerador, apontando o alto risco de comprometimento do solo e de contaminação por gases tóxicos. 

Leia mais: Moradores denunciam instalação de incinerador de lixo perto da Mata Atlântica em São Paulo

Segundo o coletivo, o planejamento prevê a construção do equipamento ao lado da unidade de conservação Refúgio de Vida Silvestre (RVS) do Parque Anhanguera e da Terra Indígena (TI) do Jaraguá. 

Segundo reportagem da Agência Brasil, antes da audiência, ônibus com passageiros não reconhecidos encostaram em frente ao local. As pessoas teriam lotado o Centro Educacional Unificado (CEU) Perus e se inscreveram para discursar, com o objetivo de atrapalhar a mobilização contra o incinerador. 

Uma pessoa não identificada ouvida pelo veículo confirmou ter recebido dinheiro para estar presente no evento como se fosse do bairro. Com a chegada de mais participantes, o CEU atingiu a capacidade máxima e cerca de 500 moradores foram impedidos de entrar.

Leia mais: SP: moradores de Perus se mobilizam para barrar incinerador de lixo

Mesmo com duas televisões instaladas por servidores municipais e estaduais, o espaço não comportou a totalidade de pessoas, e muitas delas aguardaram no lado de fora do CEU, sob a chuva. 

Também há relatos de presença ostensiva da Guarda Civil Metropolitana (GCM), informação negada pela prefeitura paulistana. Ao final, três representantes dos Guarani Mbya, ocupantes da TI, tiveram o acesso permitido.

Perus concentra um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica da capital paulista, sendo o Anhanguera o segundo maior parque municipal de São Paulo, com cerca de 9,5 milhões de metros quadrados.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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