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PF identifica empresas clandestinas de segurança na COP30 em Belém

Fiscalização revelou empresas irregulares atuando com detectores de metal e rádios em áreas restritas, incluindo a Zona Azul, onde ocorreu incêndio
Foto: imagem gerada com IA.

— Foto: imagem gerada com IA.

21 de novembro de 2025

A Polícia Federal informou nesta sexta-feira (21) que identificou a atuação de empresas clandestinas de segurança privada dentro da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), durante inspeções realizadas nas últimas semanas. 

Os agentes encerraram as atividades de duas empresas que operavam sem autorização em polos temáticos e áreas oficiais da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU).

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A descoberta ocorreu um dia após um incêndio na Zona Azul — área restrita onde ocorrem as negociações entre os quase 200 países presentes. O incidente, controlado rapidamente, intoxicou cerca de 20 pessoas e atrasou por horas a rodada final das discussões. A revelação também ocorre no dia programado para o final da conferência.

As irregularidades se somam a protestos indígenas que pressionaram a segurança do evento na primeira semana e impulsionaram questionamentos da ONU sobre a organização da conferência presidida pelo Brasil.

Irregularidades e encerramento de operações clandestinas

A Polícia Federal informou que identificou a atuação de empresas clandestinas de segurança privada em diferentes áreas da COP30, incluindo espaços oficiais, polos temáticos e um cruzeiro utilizado por delegações. 

As inspeções revelaram vigilância patrimonial sem autorização, uso indevido de detectores de metal e rádios de comunicação e funcionários de apoio exercendo funções de segurança sem credenciamento adequado. Também foram encontradas falhas nos relatórios obrigatórios de identificação de trabalhadores terceirizados.

Diante das irregularidades, a PF determinou o encerramento imediato das atividades dessas empresas. A corporação ressaltou que os mecanismos de segurança da conferência devem seguir normas específicas, especialmente dentro da Zona Azul, considerada o núcleo decisório do evento.

Pressão internacional por avanço nas negociações climáticas

Enquanto a PF atuava na área de segurança, o texto preliminar apresentado pela presidência brasileira enfrentou críticas de cerca de 30 países, que exigem a inclusão de um compromisso explícito de eliminação dos combustíveis fósseis.

A versão divulgada não menciona o termo “fósseis”, o que provocou reação pública de negociadores.

A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez, afirmou que o acordo não pode ser concluído “sem um mapa claro para abandonar os combustíveis fósseis”. O comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, declarou que o rascunho é “inaceitável” e alertou para o risco de a COP terminar sem consenso.

A posição dos países críticos segue o compromisso firmado na COP28, em Dubai, que previa uma “transição” energética em direção à substituição dessas fontes, historicamente responsáveis pela maior parte das emissões globais.

O que é a COP?

A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.

O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30ª edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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