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Plenária na ONU rejeita retirada de direito ao aborto de documento sobre igualdade de gênero

Lúcia Xavier, coordenadora geral da organização brasileira CRIOLA, acompanha a conferência e defende que a agenda global de direitos das mulheres não admite retrocessos
Plenária da 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher das Nações Unidas (CSW70), em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Plenária da 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher das Nações Unidas (CSW70), em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

— Arquivo CRIOLA

11 de março de 2026

A 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher das Nações Unidas (CSW70), principal fórum global de promoção da igualdade de gênero, começou sob tensão após uma intervenção dos Estados Unidos para retirar da declaração política do evento referências à ideologia de gênero, ao direito ao aborto, ao reconhecimento de grupos diversos e ao conceito de interseccionalidade como ferramenta de proteção. A proposta, no entanto, foi barrada pela plenária. 

“Não deixar o documento entrar em retrocesso foi muito importante. Não saímos daqui com um troféu de ouro, mas com um troféu razoável para seguir na luta”, afirma Lúcia Xavier, coordenadora geral de CRIOLA, organização de mulheres negras que acompanha as negociações na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, nos EUA.

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Lúcia defende que a agenda global de direitos das mulheres não admite retrocessos. “Mesmo sabendo que ainda eram necessários mais avanços, melhores perspectivas, maior investimento, maior capacidade dos Estados criarem esses mecanismos para garantir o direito das mulheres e a vida delas, não deixar o documento entrar em retrocesso foi muito importante, porque a declaração já vinha sendo debatida e discutida, ainda que a participação da sociedade civil seja pequena em relação àquilo que a gente precisava”, complementa, em comunicado.

Foto: Arquivo CRIOLA

A sessão da ONU — que segue até 19 de março — reúne governos e organizações da sociedade civil para discutir políticas de proteção a mulheres e meninas. Segundo a organização, apesar das pressões para retirar trechos sensíveis, o texto final manteve princípios considerados essenciais. 

Entre eles, o reconhecimento da interseccionalidade e a necessidade de políticas específicas para mulheres afrodescendentes, povos indígenas e outros grupos raciais historicamente afetados por desigualdades. O documento também reforça compromissos já assumidos pela Organização das Nações Unidas na defesa dos direitos humanos e na promoção de uma sociedade sem discriminação, violência ou racismo. 

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