A Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMSP) publicou, nesta quinta-feira (2), uma portaria aposentando o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente sob acusação da morte da PM Gisele Alves Santana, que era casada com ele.
Neto foi preso no dia 18 de março, indiciado por feminicídio e fraude processual. O caso foi inicialmente classificado como suicídio, mas, após a análise de laudos periciais e evidências colhidas, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) afastou a hipótese de que Santana havia tirado a própria vida.
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O documento destaca que a transferência para a reserva manterá o direito da aposentadoria pelos critérios proporcionais de idade, mantendo o salário que, segundo o site da Transparência do Governo de São Paulo, foi de R$ 28,9 mil brutos em fevereiro.
De acordo com um levantamento do G1, com o cálculo, o pagamento do tenente pode chegar a R$ 21 mil. A Diretoria de Pessoal da PM, que assina a portaria, utiliza 14 normas como embasamento, entre leis complementares, federais, estaduais, decretos e medidas normativas.
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Vítima tinha marcas de agressão
Entre os pontos centrais apresentados pelo órgão, há contradições no depoimento do tenente-coronel, indícios de manipulação da cena do crime e sinais claros de violência anterior à morte.
Além de um disparo incompatível com morte autoinfligida, foram encontrados hematomas, lesões no rosto e no pescoço da vítima, indicando que houve confronto e imobilização antes do assassinato.
O inquérito ainda aponta que o policial tomou banho antes da realização dos exames periciais.
O acionamento da PM ocorreu 30 minutos após o ocorrido. A análise do padrão de sangue indicou que o corpo da agente pode ter sido movimentado depois do disparo.
As apurações constataram que o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a pedido do tenente-coronel, compareceu ao apartamento onde a policial foi encontrada morta.
Junto às provas, o inquérito apresentou mensagens extraídas dos celulares, com registros de violência psicológica, coerção sexual e comportamento controlador.
Em uma delas, Geraldo Leite se intitula como “alfa” e exige uma série de condutas da companheira, pautadas na submissão e na misoginia. O tenente também afirma que Gisele jamais seria solteira.
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