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Podcast reconstrói história da Chacina do Cabula, em Salvador

Produção independente resgata, dez anos depois, os desdobramentos da operação da Rondesp que deixou 12 mortos e 6 feridos
Imagem do podcast "Os 12 do Cabula".

Imagem do podcast "Os 12 do Cabula".

— Divulgação

21 de junho de 2025

Está disponível o primeiro episódio do podcast “Os 12 do Cabula”, uma série documental que revisita, dez anos depois, a chacina que matou 12 jovens na Vila Moisés, bairro do Cabula, em Salvador. O caso ocorreu na madrugada de 6 de fevereiro de 2015, durante uma operação da Rondesp, tropa de elite da Polícia Militar da Bahia, e se tornou símbolo da letalidade policial no estado.

A série é uma produção independente, assinada pelo roteirista Leo Marques, com apoio da Ponte Jornalismo e da ONG Iniciativa Negra. Ao longo de cinco episódios, o podcast reconstrói os fatos a partir de laudos periciais, documentos oficiais e entrevistas exclusivas com pessoas que acompanharam o caso de perto.

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No episódio de estreia, “A noite mais escura”, já disponível no Spotify, a narrativa mergulha na madrugada do crime, recontando o que aconteceu com base na cobertura jornalística da época e nos primeiros relatos sobre a operação.

A série também acompanha o desenrolar judicial do caso — da denúncia do Ministério Público à anulação da sentença que absolveu sumariamente os policiais —, além da tentativa frustrada de federalização do processo. Em 2025, o caso segue em segredo de Justiça, e nenhum dos envolvidos foi julgado até agora. A próxima audiência, segundo o Tribunal de Justiça da Bahia, está marcada para o dia 17 de julho.

“Mais do que apenas contar o que aconteceu, essa série busca entender como nossa política de segurança pública e combate às drogas é falha e atua de forma brutal contra a população negra e pobre. A chacina do Cabula não é um ponto fora da curva,” explica Leo Marques.

A cada semana, um novo episódio será lançado às terças-feiras, até o encerramento da temporada, em julho. A série também conta com depoimentos de nomes como o historiador Dudu Ribeiro (Iniciativa Negra), a advogada criminalista Amanda Quaresma, o jornalista Genildo Lawinscky, o ativista Magno Ferreira (morador do Cabula) e Sandra Carvalho, da ONG Justiça Global.

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