Mesmo representando 25% da força de trabalho, mulheres negras continuam a ocupar as posições mais precarizadas do mercado de trabalho formal. A informação é da pesquisa realizada pela Diversitera.
O levantamento analisou dados de 128 mil trabalhadores, em 55 empresas de 17 setores, entre 2022 e 2025, e apontou que pessoas negras recebem em média 43% a menos do que brancas.
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O cenário é ainda mais grave para mulheres pretas, cuja remuneração é 63% inferior à das mulheres brancas, mesmo quando desempenham funções de mesma hierarquia.
A pesquisa também mapeou a frequência de atos discriminatórios no ambiente de trabalho. Entre os trabalhadores negros, 28% relataram ter vivido situações de preconceito. Outros 9% dos entrevistados declararam ter sido vítimas de racismo explícito.
Um quarto das mulheres pretas afirmou já ter sido alvo de microagressões, como piadas ou comentários ofensivos, no cotidiano corporativo. Entre as mulheres pardas, esse índice é de 21%.
De acordo com a Diversitera, o recorte por gênero evidencia a vulnerabilidade das mulheres negras. Nos episódios de racismo declarado, 17% das mulheres pretas e 11% das pardas disseram já ter sido vítimas ou testemunhas.
Para especialistas, os dados escancaram o impacto persistente do racismo estrutural no Brasil, com efeitos diretos na distribuição de renda e nas oportunidades de ascensão profissional para mulheres negras.