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Prouni: cotistas poderão concorrer também na ampla concorrência

Mudança assinada por Lula altera regras de seleção e amplia chances de ingresso para estudantes negros, indígenas e pessoas com deficiência
Alunos negros em uma universidade.

Alunos negros em uma universidade.

— Reprodução/Agência Brasil

2 de abril de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que altera as regras do Programa Universidade para Todos (Prouni) e modifica a forma de participação dos estudantes vinculados às políticas de ação afirmativa. 

A medida permite que candidatos cotistas concorram inicialmente às vagas da ampla concorrência antes de serem considerados para as bolsas reservadas. O decreto foi publicado no Diário Oficial da União na quarta-feira (1).

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A assinatura ocorreu durante evento realizado no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, com a presença do ministro da Educação, Camilo Santana, e de estudantes, representantes de movimentos sociais e autoridades.

O decreto altera uma norma estabelecida em 2022 que restringia a participação do candidato a apenas uma modalidade de disputa. Na prática, estudantes que se inscreviam como cotistas concorriam apenas às vagas reservadas, mesmo quando obtinham notas compatíveis com a ampla concorrência.

Com a nova regra, o processo seletivo passa a funcionar em duas etapas para esse público. Primeiro, o candidato disputa as vagas gerais. Caso não alcance a nota necessária, ele passa a concorrer às vagas destinadas às políticas afirmativas.

Leia mais: Com presença de Lula, ato em defesa das cotas reúne 15 mil pessoas em SP

A mudança, segundo nota ministerial, busca ampliar as possibilidades de acesso ao ensino superior e corrigir uma distorção no modelo anterior, que limitava o alcance das ações afirmativas.

Durante o evento, o presidente afirmou que o Prouni e o sistema de cotas têm como objetivo garantir acesso à universidade para diferentes segmentos da população. Segundo Lula, a política cria condições para que pessoas de diferentes origens ingressem no ensino superior.

Avanço das políticas de acesso

As novas regras se aplicam a estudantes autodeclarados pretos, pardos ou indígenas e a pessoas com deficiência. No momento da inscrição, o candidato deverá indicar se atende aos critérios para concorrer às vagas reservadas.

A alteração também impacta a dinâmica de classificação, ao permitir que candidatos com melhor desempenho tenham acesso às vagas da ampla concorrência, sem perder o direito de disputar as cotas.

O anúncio ocorreu em um contexto de balanço das políticas de democratização do ensino superior. Em 2026, o Prouni completa 21 anos. A política de cotas nas universidades federais chega a 14 anos, e a primeira turma de cotistas formados completa uma década.

Leia mais: Cotistas têm maior taxa de conclusão nas universidades federais que os não cotistas, aponta Censo

Dados apresentados pelo Ministério da Educação indicam que o Sistema de Seleção Unificada já beneficiou mais de 790 mil estudantes cotistas. Desse total, 39% ingressaram a partir de 2023.

Somados aos mais de 1,14 milhão de estudantes atendidos pelo Prouni e aos cerca de 30 mil cotistas do Fundo de Financiamento Estudantil, as políticas afirmativas ligadas ao MEC alcançam quase dois milhões de universitários.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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