PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Quatro anos após o crime, advogado é condenado por racismo e discurso de ódio contra indígenas

Em 2022, um homem interrompeu o almoço de 20 lideranças indígenas, proferiu ofensas racistas e alegou estar armado
A imagem mostra a Procuradoria-Geral da República, órgão do Ministério Público Federal (MPF).

A imagem mostra a Procuradoria-Geral da República, órgão do Ministério Público Federal (MPF).

— Reprodução/José Cruz/Agência Brasil

16 de janeiro de 2026

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) condenou um advogado ao pagamento de R$ 50 mil em danos morais coletivos por crime de racismo e discurso de ódio contra lideranças indígenas. A informação foi divulgada pelo Ministério Público Federal (MPF), na quinta-feira (15).

Segundo o MPF, o crime ocorreu em 21 de agosto de 2022, em uma churrascaria no município de Belterra (PA). À época, enquanto um grupo de aproximadamente 20 lideranças da comunidade do Maguari almoçava em um restaurante, William Martins Lopes dirigiu-se à mesa e, em tom agressivo e depreciativo, proferiu ofensas.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Na ocasião, Lopes questionou a legitimidade étnica dos presentes e sugeriu estar em risco pela presença dos indígenas. Em seguida, informou estar armado e disposto a utilizar a força. O episódio provocou risos entre outros clientes do estabelecimento.

O caso foi presenciado pelo procurador-chefe do MPF no Pará, Felipe Palha, que teria alertado o homem sobre sua conduta discriminatória e solicitado que se retirasse do local. Mesmo assim, Lopes seguiu com os ataques. As lideranças precisaram sair do local, devido ao medo da violência.

Durante o inquérito civil do Ministério Público, as vítimas relataram impactos causados pela agressão. Uma das lideranças declarou que ficou insegura de usar seus adereços culturais em público. Também houve relatos de mulheres indígenas que não quiseram sair sozinhas do hotel ou não conseguiram dormir.

A sentença do magistrado negou que as ofensas foram proferidas em tom de brincadeira, tese apresentada pela defesa do réu. O documento destaca que o contexto posterior reforça o caráter racista das falas, pois expôs em ambiente público estereótipos discriminatórios que atentam contra toda a coletividade indígena.

“Restou comprovado que o réu questionou a identidade étnica das vítimas e proferiu frases de teor depreciativo […], além de ameaçar o uso de força armada e exposição vexatória perante os demais clientes do estabelecimento”, registrou o magistrado em trecho do parecer.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano