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Quilombolas denunciam danos de inundação provocada por operação de hidrelétricas no Amapá

Coordenação quilombola denuncia destruição de moradias, roças e áreas de pesca no Quilombo Igarapé do Palha, em Ferreira Gomes, no Amapá
A imagem mostra uma barragem da hidroelétrica de Itaipu, no Paraná.

A imagem mostra uma barragem da hidroelétrica de Itaipu, no Paraná.

— Reprodução/Agência Brasil/Caio Coronel/Itaipu Binacional/Direitos Reservados

23 de maio de 2026

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) denunciou, na quinta-feira (21), violações de direitos contra o Quilombo Igarapé do Palha, na cidade de Ferreira Gomes, no Amapá, após uma inundação provocada pela operação de hidrelétricas instaladas no Rio Aguari. 

Segundo a entidade, a cheia destruiu moradias, áreas de plantio e criações de animais da comunidade. A denúncia foi encaminhada pela organização ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além dos ministérios da Igualdade Racial e dos Povos Indígenas.

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A Associação Quilombola do Igarapé da Palha (Auipa) informou que a inundação ocorreu após operação integrada das usinas Ferreira Gomes, Cachoeira Caldeirão e Coaracy Nunes. 

Em nota à imprensa, a CONAQ destaca que a abertura das comportas aconteceu sem plano de contingência e sem a consulta livre, prévia e informada às famílias quilombolas. 

Leia mais: Mulheres quilombolas fortalecem atuação na justiça climática em encontro da Conaq

A coordenação nacional também cobra o envio imediato de equipes técnicas ao território para realização de vistorias independentes e auditoria nos planos de manejo das usinas. 

A entidade pede ainda a responsabilização administrativa das concessionárias pelos impactos ambientais e sociais causados à comunidade tradicional.

O ocorrido, aponta a CONAQ, agravou a situação de insegurança alimentar no quilombo ao comprometer atividades essenciais para a sobrevivência das famílias, como a pesca artesanal e a agricultura familiar. 

Leia mais: Quase 60% dos quilombos enfrentam garimpo e invasões, revela nova pesquisa

Para a coordenação nacional, a proteção dos territórios quilombolas é fundamental para garantir direitos humanos, soberania alimentar e preservação ambiental na região amazônica.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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