O Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+ denunciou o técnico Abel Braga e o Internacional ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) na terça-feira (2), após uma declaração homofóbica do treinador durante sua apresentação no clube.
No domingo (30), durante uma coletiva de imprensa, Braga comentou a cor do uniforme de treino do time gaúcho e associou a camisa rosa a pessoas homossexuais. “Eu não quero meu time treinando de camisa rosa, parece time de viado”, disse.
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Após a repercussão negativa, o técnico publicou um pedido de desculpas nas redes sociais e disse que “cores não definem o caráter das pessoas”.
Em entrevista à Alma Preta, o fundador e presidente do coletivo Canarinhos, Onã Runã, explica que a medida busca pressionar o futebol brasileiro a coibir discursos discriminatórios e impedir que agentes do esporte continuem propagando esse tipo de fala sem serem responsabilizados.
“É fazer com que as entidades construam medidas que impeçam esse tipo de manifestação, sobretudo o STJD, por meio de uma punição efetiva e aguardar algum retorno da própria CBF. É algo recorrente no futebol, que volta e meia ganha essa expressão”, afirma.
Coletivo cobra punição e medidas contra a LGBTfobia no futebol
De acordo com a denúncia, o coletivo reivindica que a Procuradoria do STJD apresente denúncia de ofício contra Abel Braga por prática de ato discriminatório direcionado à comunidade LGBTQIAPN+ e omissão, nos termos do artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).
O documento também pede que o treinador seja responsabilizado e que todas as medidas necessárias para a investigação e o julgamento do caso sejam adotadas. Além disso, cobra que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reforce seus protocolos e regulamentos antidiscriminatórios, para impedir a normalização da LGBTfobia no ambiente esportivo.
Segundo o texto, a fala do treinador também reforça estereótipos históricos contra pessoas LGBTQIAPN+ no futebol e legitima violências simbólicas e materiais sofridas pela comunidade dentro e fora dos estádios.
Ao final, o documento critica o Internacional por não adotar nenhuma medida diante da fala do treinador, “mostrando conivência e concordância com tais declarações”.
“Episódios como este não podem passar sem resposta institucional. A certeza da impunidade é o maior incentivo para a continuidade de condutas de ódio e preconceito, que se expressam tanto em falas como em agressões físicas, exclusões e violências diversas”, diz trecho da denúncia.
O coletivo também encaminhou uma representação ao Ministério Público, em conjunto com o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP), e aguarda os desdobramentos tanto da Justiça Desportiva quanto da Justiça comum.
Procurado pela Alma Preta, o Internacional não se posicionou sobre o caso. O clube afirmou apenas que qualquer declaração será divulgada em seu perfil nas redes sociais.