Um relatório do Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta quinta-feira (27), aponta que a cidade de Salvador e a Região Metropolitana atingiram a marca de 501 pessoas mortas em ações policiais e 95 em chacinas policiais em 2025.
De acordo com o instituto, o número é 5% superior ao registrado em 2024, ano em que o índice chegou ao mesmo patamar somente em 19 de dezembro. No período, as regiões somaram 514 mortos em operações e 46 em chacinas policiais.
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O levantamento indica que as Rondas Especiais (Rondesp) da Polícia Militar da Bahia (PMBA) estiveram presentes em ações que concentraram 43% dos óbitos. A entidade estima que o ano de 2025 pode terminar com o recorde em letalidade policial.
Entre as ocorrências, estão 494 homens, sete mulheres, 11 adolescentes e um idoso. O estudo conseguiu realizar a identificação racial das vítimas em 53% dos casos. Neste recorte, todas as mortes são de pessoas negras.
Segundo o documento, o marco ocorre pouco mais de um mês após o governo estadual, chefiado por Jerônimo Rodrigues (PT), publicar o Plano de Atuação Qualificada de Agentes do Estado (PQUALI), que estabelece metas e ações para reduzir a letalidade policial nos próximos três anos.
O plano pretende reduzir em 10% por semestre as mortes decorrentes de ações policiais pelos próximos três anos e prevê ações como a capacitação de 30% dos profissionais de segurança para prevenção de letalidade e a ampliação de 30% no uso de câmeras corporais.
Para a Coordenadora Regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, Tailane Muniz, o PQUALI representa um avanço institucional importante, mas contrasta com a dimensão da crise da violência policial.
“A sociedade deve acompanhar de perto, cobrar e exigir metas mais ousadas, capazes de, de fato, alterar um cenário em que a letalidade policial não tem se traduzido em maior segurança para a população”, destacou Muniz, em nota à imprensa.