O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou seis agentes do Batalhão de Choque da Polícia Militar pelos crimes de peculato e furto qualificado, cometidos durante a Operação Contenção, a ação que culminou na maior chacina policial do Brasil. As informações foram divulgadas pelo órgão nesta segunda-feira (1).
Em nota, o órgão informou que os 3º sargentos Vinicius Pereira Silva Vieira e Charles William Gomes dos Santos foram denunciados por peculato após o furto de um fuzil semelhante ao modelo AK-47, em uma residência onde cerca de 25 homens já haviam se rendido.
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O subtenente Marcelo Luiz do Amaral, o sargento Eduardo de Oliveira Coutinho e outros dois policiais foram denunciados pelo crime de furto qualificado decorrente do desmanche de um veículo encontrado estacionado na Vila Cruzeiro, no complexo da Penha.
De acordo com o MPRJ, as investigações apontam que os policiais levaram o tampão do motor, o farol e a capa dos retrovisores, além de tentar impedir que as câmeras corporais registrassem o ato. Para o órgão, houve tentativa deliberada de manipular e obstruir o funcionamento dos equipamentos por todos os denunciados.
“Em diferentes momentos, os agentes tentaram cobrir, retirar ou desviar o campo de visão das câmeras, prejudicando a produção de provas e distorcendo a documentação das ações policiais”, diz trecho do comunicado.
Operação Contenção
Com um total de 121 mortos, a ação foi deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha e acumula denúncias de execução, violência contra moradores, prisões arbitrárias e impedimento na liberação dos corpos das vítimas. Na época, em entrevista à AFP, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou o episódio como “massacre”.
Em novembro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou a preservação integral das provas e elementos materiais relacionados à ação, além da relação de policiais equipados com câmeras corporais.
O Ministério Público Federal (MPF) também investiga o caso e requisitou, em novembro, informações sobre o eventual uso de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) na operação.