PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Série documental apresenta pioneirismo e legado de Glória Maria no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

Palestra com os produtores da série ressaltou a memória e trajetória da jornalista negra que inspirou gerações
Produtores falam sobre os bastidores da série documental "Glória" no Congresso da Abraji em 12 de julho de 2025.

Produtores falam sobre os bastidores da série documental "Glória" no Congresso da Abraji em 12 de julho de 2025.

— Hellen Novais/Alma Preta

13 de julho de 2025

A mesa “O legado de Glória Maria: os bastidores da história do telejornalismo brasileiro”, que aconteceu na tarde de sábado (12) durante a 20° edição do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, reuniu os profissionais envolvidos na produção da série dedicada a trajetória da jornalista.

O evento é promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e acontece em São Paulo até este domingo (13).

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A partir dos bastidores do documentário “Glória”, a apresentação tratou de momentos marcantes da história, do estilo único de reportagem e do legado de Glória Maria na comunicação. 

A mesa contou com a participação da diretora da série, Danielle França, da gerente de inovação e projetos especiais da Globo e Globoplay Fátima Baptista e do diretor Paulo Sampaio. A mediação foi de Adriana Ferreira Silva, colunista do Nexo Jornal e curadora da jornada Galápagos.

Os bastidores e o estilo de Glória Maria 

A produção de um documentário sobre Glória Maria envolveu o acesso a mais de quatro mil arquivos acumulados ao longo de seus 52 anos de carreira. A obra revela como a jornalista explorou diferentes possibilidades, ultrapassou barreiras e construiu um estilo próprio que marcou o telejornalismo brasileiro.

Glória desenvolveu o que muitos chamam de “método Glória Maria”. “É um fato que essa jornalista criou uma linguagem própria, um jeito todo especial de contar as histórias. A glória não esperava pra escrever depois, ela montava essa história enquanto ela ia acontecendo e essa montagem permitia a força, a voz na hora  e um do momento sentimento“, afirmou Sampaio. 

Baptista também enfatizou esse traço da jornalista, que dizia se inspirar na forma como sua vó contava histórias.

“Ela contava histórias e conversava com as pessoas de um jeito muito natural. E acho que essa é uma contribuição pro estilo do telejornalismo porque contar de um jeito natural se conecta com o público”.concluiu. 

Paulo também enfatizou sua versatilidade e o espírito aventureiro da repórter.

“A medida que fomos voltando ao passado, percebemos o quanto ela se jogava no mundo. Ela vai de política, economia, polícia, porta de delegacia… De tudo isso ela fez. Tudo que você possa imaginar de uma editoria de jornalismo, Gloria cobriu pra gente ver que realmente ela é uma repórter completa. Foram 52 anos de carreira segurando o microfone e conquistou a TV no Brasil”, afirmou. 

O pioneirismo no telejornalismo e o legado entre mulheres negras 

Glória Maria foi a primeira mulher negra a apresentar um telejornal ao vivo em cores na TV brasileira. Fátima destacou essa conquista e comentou como a jornalista acumulou feitos inéditos ao longo da carreira.

“Glória é uma colecionadora de inéditos.  Então assim, a primeira transmissão em HD, a primeira vez que alguém voou de asa-delta gravando. o primeiro ao vivo a cores… Aquela passagem que todo mundo sabe… Ela se ajoelhou, ligaram a luz do carro. Isso parece folclore, mas não é. Muita coisa a gente descobriu e redescobriu durante o processo, e acho que ninguém tem uma história como ela”, elencou. 

Para a idealizadora da série, a figura de Glória é uma unanimidade, e isso facilitou a entrevista de vários artistas para o documentário, como o rapper Mano Brown e o cantor Djavan. 

“Uma riqueza de depoimentos que a gente nem acreditava que estávamos conseguindo, mas foi por conta dela e de sua força. A gente trabalhou com uma equipe unânime, muita apaixonada por Glória”, comentou França.

Criadora da série, Danielle também destacou que o legado de Glória Maria inspirou o surgimento do grupo Herdeiras de Glória Maria, que hoje reúne cerca de 100 jornalistas negras. A participação dessas profissionais no documentário evidencia a representatividade e a influência da jornalista.

“Elas participam também do documentário e mostram como as histórias das herdeiras se cruzam com a história de Glória. E foi assim que a gente chegou até a casa dela, através do depoimento da Cinthia Martins, que foi uma herdeira que morou no mesmo bairro onde ela nasceu”, destacou Danielle. 

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Thayná Santana

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano