Em celebração ao dia dos Ibejis, comemorado em 27 de setembro, o Terreiro Aruanda, em São Paulo, realiza uma programação com os estudantes da Universidade de São Paulo (USP), reunindo saberes tradicionais afro-brasileiros e formação acadêmica.
Os estudantes vão participar de uma vivência dedicada ao preparo coletivo do Caruru, prato típico oferecido ao orixá das crianças, os Ibejis e Erês, divindades infantis cultuadas na Umbanda e no Candomblé.
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A atividade integra ação de extensão universitária “Festa dos Erês como Espaço de Cuidado Alimentar e de Saúde”, promovida pelo Grupo de Pesquisa em Alimentação, Corporalidades e Cultura (GPAC/USP).
Além de romper com uma visão eurocentrada do conhecimento, a proposta busca aproximar a universidade de territórios sociopolíticos e a cultura negra religiosa, promovendo uma abordagem decolonial da alimentação e da saúde pública.
A condução da atividade ficará a cargo de duas mulheres de axé, filhas de santo do Terreiro Aruanda e pesquisadoras. A nutricionista Ana Pallottini, mulher negra de terreiro e profissional do Sistema Único de Saúde (SUS), que articula saúde, segurança e cultura alimentar afro-brasileira; e a historiadora Camila Barraca, pesquisadora da comida ritual na Umbanda.
“A vivência ressalta a importância do terreiro como território de resistência e conhecimento, em diálogo com a academia para ampliar a luta antirracista”, afirma Ana Pallottini em comunicado à imprensa.
Culinária ancestral como prática de aprendizado
Durante dois dias, os estudantes vão acompanhar o cotidiano da Casa Aruanda, participar da preparação do Caruru e de rodas de conversa sobre cultura alimentar afro-brasileira, saúde pública e ancestralidade negra.
O Caruru é uma comida feita com quiabo, camarão seco e azeite de dendê, também oferecida para Xangô. Na tradição do Terreiro Aruanda, o prato sagrado também é servido com farofa de banana da terra para Oxumarê, além de acarajé e vatapá para Oyá e pipoca para Obaluaiê.

Festa de Erês
A programação se encerra no sábado (27), com a tradicional “Festa dos Erês”, a partir das 15h. A celebração acontece na rua, em frente ao terreiro, e é aberta ao público, para celebrar a infância, os valores de afeto e coletividade que marcam o culto aos Ibejis.