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Uneafro mobiliza 1.500 estudantes na USP em aulão contra o feminicídio

Aulão inaugural dos cursinhos populares voltados a jovens negros e das periferias ocorreu em 21 de março; mais de 130 estudantes da iniciativa foram aprovados em universidades federais em 2026
Aulão contra o feminicídio promovido pela UNEafro na USP em 21 de março de 2026.

Aulão contra o feminicídio promovido pela UNEafro Brasil na USP em 21 de março de 2026.

— Reprodução/UNEafro

23 de março de 2026

Cerca de 1.500 estudantes ocuparam a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) na tradicional aula inaugural do ano letivo dos cursinhos populares da UNEafro Brasil, realizada no simbólico dia 21 de março, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.

A aula magna teve como foco o combate ao feminicídio, crime que atingiu recorde no estado de São Paulo em 2025, com um aumento de 96,4% em relação a 2021.

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A atividade foi ministrada por Julia Köpf, secretária nacional de Juventude do PT; Juvania Moreira, presidenta da Contraf-CUT e do Diretório Nacional do PT; Beatriz Lourenço, diretora de programas do Instituto Peregum e da UNEafro Brasil; e Douglas Belchior, fundador da UNEafro Brasil, da Coalizão Negra por Direitos e diretor do Instituto Peregum.

“Foi potente o chamado direto, especialmente aos jovens homens, sobre a responsabilidade no enfrentamento à violência contra as mulheres. Orgulho desta juventude negra organizada, com esperança no olhar e consciência na cabeça”, afirmou o Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores em São Paulo, em publicação em rede social.

O evento também ocorreu no mês em que a UNEafro Brasil completa 17 anos de fundação. Criada em 5 de março de 2009, a organização nasceu a partir de um ato político protagonizado por cerca de 100 pessoas que ocuparam a Faculdade de Medicina da USP, denunciando a desigualdade racial no acesso ao ensino superior.

Com atuação em diversos territórios, a UNEafro Brasil é um movimento que se organiza em cursinhos populares espalhados pelas periferias da São Paulo — em regiões como São Mateus, Sapopemba, Itaquera, Cidade Tiradentes, Jardim Míriam e Bela Vista — além de municípios como São Bernardo do Campo, Itaquaquecetuba, Poá, Guarulhos, Cotia, Jacareí, Votuporanga e Bebedouro.

Estudantes participam de aulão da UNEafro Brasil na USP. Foto: Reprodução/UNEafro

A organização também está presente em estados como Minas Gerais (com núcleos em Januária e Extrema), Rio de Janeiro, Pernambuco e no Distrito Federal.

Durante o aulão, estudantes aprovados em universidades públicas compartilharam suas trajetórias, fortalecendo o sentido coletivo do projeto.

“Ver aqueles jovens com brilho nos olhos, com sede de aprender, com vontade de transformar suas vidas, suas famílias e suas comunidades, é entender que a luta faz sentido. Que a gente está no caminho certo”, comentou Douglas Belchior.

Em 2026, mais de 130 estudantes participantes dos cursinhos da UNEafro conquistaram vagas em instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre outras.

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