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Dia de São João: conheça a história da festividade nordestina

Saiba quais são as influências indígenas e africanas da festividade que surgiu na Idade Média
Imagem mostra foliões durante o São João comemorado em Maceió, no Ceará.

Foto: Itawi Albuquerque/Secom Maceió

24 de junho de 2024

No mês de junho, os nordestinos celebram o período festivo mais significativo da região: a festa de São João, em alusão ao nascimento de João Batista, no dia 24. Ao lado das festas de Santo Antônio e São Pedro, a celebração é caracterizada pela ampla participação popular, sendo de extrema importância cultural e econômica.

São João Batista é um santo com destaque na tradição católica por ser considerado o “precursor de Jesus”. Segundo o catolicismo, ele era um pregador nascido na Judeia e profetizou que o “Messias estava chegando”. O santo também é reconhecido por batizar Jesus Cristo nas águas do rio Jordão.

A festa de São João teve origem na Idade Média. Em junho, no hemisfério norte, era comemorado o solstício de verão, período em que o sol atinge o seu pico mais alto, resultando no dia mais longo e a noite mais curta do ano. 

Como também era um período de colheita, as celebrações tinham forte ligação rural e eram focadas no agradecimento pelos bons frutos. Com o tempo, a igreja católica passou a substituir os rituais realizados para deuses pagãos por festas dedicadas aos santos. 

Ao chegar no Brasil com a colonização portuguesa, as festas juninas se estabeleceram no nordeste no início do século XVI. Ao longo do tempo, a tradição de comemorar o São João cresceu e se espalhou por todo o país, adaptando os elementos rurais e europeus, às influências indígenas e africanas.

Um exemplo das influências indígenas nas festas juninas é a comida típica da Festa Junina. O milho, a mandioca, a batata-doce e o amendoim, por exemplo, têm origem indígena. Estes ingredientes faziam parte da base da alimentação das comunidades e, com o passar do tempo, foram incorporados às celebrações juninas.

Em relação à dança folclórica, a referência inclui a união de ritmos ancestrais africanos. O forró e o coco, por exemplo, apresentam influências africanas em suas melodias. No passado, essas cantigas, recheadas de lendas, eram cantadas pelos escravizados nas rodas de capoeira e celebrações.

Ricas em diversidade cultural, cada região do Brasil tem suas próprias tradições e costumes durante as festividades juninas. No Nordeste, por exemplo, é comum a realização de grandes festas de rua, com apresentações de quadrilhas, comidas típicas como milho cozido, canjica, pamonha e as famosas fogueiras.

Em 2022, o título de “Maior São João do Mundo” foi concedido a Campina Grande pelo Ranking Brasil. A honraria, no entanto, serviu apenas para oficializar o título, pois a festa é conhecida por esse termo há muito tempo.

Entre os critérios que contribuíram para o reconhecimento estão a duração do evento, que se estende por todo o mês de junho, e a sua longa trajetória, uma vez que a festa de São João de Campina Grande completou 40 anos em 2023.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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