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Documentário debate presença de religiões de matriz africana no futebol

Nova produção do PELEJA propõe reflexão sobre apagamento histórico, intolerância e a influência dessas tradições na construção cultural do esporte
Cena do documentário Por que o futebol quer esconder a "macumba", do PELEJA.

Cena do documentário Por que o futebol quer esconder a "macumba", do PELEJA.

— Divulgação

5 de abril de 2026

A relação entre o futebol brasileiro e as religiões de matriz africana nunca foi ausente, mas frequentemente foi invisibilizada. É a partir dessa tensão que o novo documentário do PELEJA se constrói, propondo um olhar que desloca o eixo tradicional das narrativas esportivas e coloca em evidência dimensões culturais e espirituais que atravessam o jogo.

Ao reunir pesquisadores, praticantes e vivências diretas dessas religiões, a produção intitulada “Por que o futebol quer esconder a macumba apresenta o futebol como um espaço onde diferentes expressões de fé coexistem, ainda que de forma desigual.

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Entre os entrevistados está Rodrigo Nestor, jogador do Bahia, que participa do documentário em um dos seus relatos mais aprofundados sobre a própria fé no contexto do esporte.

Se dentro de campo vitórias e derrotas são compartilhadas por atletas de diferentes crenças, fora dele o reconhecimento dessas espiritualidades segue marcado por distorções e preconceitos.

“Existe uma tentativa constante de apagar essa relação. Quando falamos de futebol brasileiro, muitas vezes ele é enquadrado dentro de uma lógica única, que não contempla a diversidade cultural que realmente construiu esse esporte. Trazer esse tema também é uma forma de descolonizar esse olhar”, afirma Luiza Mou, produtora do PELEJA.

A discussão proposta pelo documentário também dialoga com transformações mais amplas no próprio futebol. Em um cenário de elitização crescente, o esporte passa a restringir não apenas o acesso, mas também as narrativas que ganham espaço, afastando-se de elementos historicamente associados à cultura popular.

“Quando o futebol se distancia da ginga, do improviso, ele também se afasta de referências culturais importantes. Não é só uma questão financeira, é sobre quais histórias são valorizadas e quais acabam ficando de fora”, destaca a produtora.

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Nesse contexto, o documentário se posiciona como uma tentativa de ampliar o campo de visão sobre o esporte, indo além da cobertura cotidiana e propondo uma leitura que conecta futebol, identidade e espiritualidade. 

“Vejo esse trabalho como um primeiro passo. Ele funciona como uma chave de acesso para quem está disposto a olhar para esse tema com mais atenção. É um convite para ir além do futebol do dia a dia e entender que essas religiões também fazem parte desse ecossistema”, explica Mou.

Cena do documentário Por que o futebol quer esconder a “macumba”, do PELEJA. Foto: Divulgação

Entre vivência e escuta

A construção do documentário parte do encontro entre diferentes experiências que, ao se cruzarem, revelaram uma pauta comum. De um lado, a vivência de Luiza Mou, que cresceu em um terreiro e já carregava o desejo de contar essa história a partir de dentro.

Do outro, o olhar de Julia Ferratoni, diretora do projeto, interessada em compreender e dar visibilidade às religiões de matriz africana, especialmente diante de episódios recentes de intolerância no futebol. Dessa troca, a narrativa se constrói entre experiência e escuta.

Durante a produção, essa relação com o tema não se limitou ao conteúdo, mas atravessou também o próprio processo de realização. Segundo a produtora, o respeito às dinâmicas do sagrado foi determinante para a condução do projeto.

“Tudo estava muito atrelado ao sagrado. Não era só uma questão de agenda ou logística. Existia um respeito pelas permissões, pelos tempos dos orixás das casas e das pessoas envolvidas. Isso impactou diretamente a forma como organizamos o documentário e exigiu um cuidado constante ao longo de todo o processo”, explica.

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O documentário propõe ampliar o debate sobre a presença das religiões de matriz africana no futebol brasileiro, abordando temas como representatividade, intolerância e reconhecimento dentro do esporte.

“A nossa intenção é que pessoas de axé se sintam vistas dentro do futebol e reconheçam ali suas vivências. E que quem não faz parte dessas religiões possa se aproximar com mais abertura. Se conseguirmos gerar reflexão e respeito, já é um avanço importante”, conclui Luiza Mou.

O documentário já está disponível no canal do PELEJA no YouTube e nas redes sociais do veículo.

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