A rapper, pesquisadora e diretora musical Ju Dorotea lançou nesta sexta-feira (24) seu primeiro álbum, “OH NÓIS AQUI”. O projeto chega como um manifesto de existência, resistência e autoestima no rap nacional e está disponível em todas as plataformas digitais.
Construído ao longo de três anos, o trabalho consolida a artista na cena independente, com uma sonoridade que mistura hip-hop, afrolatinidade e diferentes ritmos.
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Após dez anos de carreira, Ju Dorotea amplia sua presença no rap nacional. A artista soma dois EPs, quatro cyphers, 12 singles e participações, além de atuar como diretora musical do #EstudeoFunk, na Fundição Progresso, e pesquisadora de cultura urbana.
“‘OH NÓIS AQUI’ nasceu como um grito de resistência. Com o tempo, esse grito virou também a minha história. O álbum demorou, pausou, mudou comigo entre maternidade, trabalho, cansaço e renascimentos. Mas não se perdeu!”, afirmou a rapper em nota à imprensa.
Com sete faixas, o álbum aborda memória, prosperidade, acesso e identidade, conectando experiências pessoais ao coletivo. O título “Oh nóis aqui!” reforça a afirmação de presença em um cenário marcado por desigualdades, especialmente para mulheres negras e afrolatinas.
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Protagonismo feminino marca as faixas
O protagonismo feminino é um dos pilares do projeto. Na faixa de abertura, “Agoji”, que mistura trap e funk carioca, a artista faz referência às Agoji, unidade militar de elite composta exclusivamente por mulheres no antigo Reino do Daomé (atual Benim), entre os séculos XVII e XIX. Altamente treinadas, elas se tornaram símbolo de resistência contra a colonização francesa e inspiraram o filme “A Mulher Rei”, estrelado por Viola Davis.
A produção da faixa é assinada por Lastra, que já trabalhou com Urias e Xamã, além de ser responsável por “Trap Máfia”, trilha utilizada em campanhas da NBA e da NFL.
Outro destaque é “Mira el Fuego”, que aborda, de forma poética, o fogo e a fumaça que marcam a paisagem de Volta Redonda, onde a artista viveu por alguns anos. A faixa traz metáforas inspiradas em O Mágico de Oz e reflete sobre a relação entre indústria e território urbano. A música deve ganhar um clipe gravado na cidade.
Das sete faixas, quatro contam com beats produzidos por mulheres beatmakers. O álbum também reúne parcerias com artistas de diferentes regiões do país, como Rio de Janeiro, Baixada Fluminense, Volta Redonda, São José dos Campos e Curitiba, ampliando as conexões na cena independente.
Para celebrar o lançamento, a artista fará um pocket show no dia 30 de abril, no espaço CCS Movimento, na Avenida Mem de Sá, 215 na Lapa, região central do Rio de Janeiro, com entrada gratuita.
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