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Maioria dos artistas do hip-hop já sofreram preconceito e não conseguem viver apenas da arte

Pesquisa revela ainda como a geografia influencia as trajetórias artísticas no hip-hop brasileiro, com a maioria das oportunidades concentradas no eixo Rio-SP
Imagem mostra um documento com informações da pesquisa sobre artistas do hip-hop.

Imagem mostra um documento com informações da pesquisa sobre artistas do hip-hop.

— Divulgação/BERRO INC

2 de novembro de 2025

A produtora Dinastia Sabah apresenta a segunda edição da pesquisa “Os Bastidores do Hip Hop”, um estudo inédito que traça um panorama da atuação profissional de artistas e agentes culturais ligados aos quatro elementos do Hip-Hop — Rap, DJ, Graffiti e Breaking — em todas as regiões do Brasil.

A nova edição, realizada em 2025, amplia o olhar iniciado na primeira versão do estudo, entre 2020 e 2021, que registrou os impactos da pandemia no setor. Desta vez, o levantamento foi feito por meio de um questionário online, com 22 perguntas respondidas por artistas de 15 estados brasileiros, abrangendo capitais, cidades do interior e regiões metropolitanas. Os resultados foram apresentados em seminário e agora estão disponíveis em ebook para interessados no setor. 

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Entre os resultados, chama atenção que 92,6% dos artistas de hip-hop já sofreram preconceito por fazer parte deste movimento e 60% não conseguem viver exclusivamente do trabalho com a arte, precisando complementar a renda em outras atividades. Além disso, grande parte dos projetos segue acontecendo de forma independente — em batalhas, saraus e shows no circuito underground.

“O Hip-Hop é minha profissão e meu estilo de vida, mas até chegar aqui enfrentei muitas dificuldades estruturais. Este estudo é uma ferramenta potente para artistas, produtores e agentes do mercado cultural voltados à cultura urbana” afirma Ju Dorotea, artista e pesquisadora que coordenou o grupo de trabalho da pesquisa.

Os dados revelam ainda como a geografia influencia as trajetórias artísticas no hip-hop brasileiro. Entre os participantes, 42,1% atuam no interior e 57,9% em capitais ou regiões metropolitanas do país. Ainda assim, um em cada três artistas considera mudar para o eixo Rio–SP para avançar na carreira, revelando o contraste entre a força das cenas locais e a concentração de oportunidades nos grandes centros.

Com alto nível de detalhamento, a pesquisa traz dados sobre impacto do território na atuação profissional, fontes de renda em cada elemento, tabela de cachês referência, tecnologias e tendências no trabalho de artistas e produtores do Hip-Hop, relações de trabalho, aspectos emocionais e crenças de todos os que participaram.  

Realizada pela Dinastia Sabah, produtora especializada em cultura urbana, o projeto é contemplado pelo edital Pró-Carioca, programa de fomento à cultura carioca, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Cultura.

“Nossa proposta é que a pesquisa ‘Os Bastidores do Hip Hop’ seja uma ferramenta de referência para gestores, pesquisadores e profissionais do setor. Consolidar dados e escutar quem está na base é passo fundamental para fortalecer o Hip Hop como setor artístico e econômico no Brasil”, finaliza Dorotea. 

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