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Mapeamento revela diversidade e potência das artes visuais negras em Aracaju

A pesquisa nasce do desejo de combater o apagamento histórico de artistas negros nos registros oficiais da arte brasileira
Éverton e Everlane, artistas pai e filha.

Éverton e Everlane, artistas pai e filha.

— Everlane Moraes

17 de agosto de 2025

Um mapeamento inédito realizado em Aracaju dá destaque ao trabalho de 14 artistas visuais negros que atuam na capital sergipana, revelando a potência criativa, a ancestralidade e as múltiplas linguagens que atravessam suas produções. A pesquisa, desenvolvida por Aíla Omowale, artista visual e doutoranda em comunicação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), será apresentada e publicada no XXI Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult), e tem como foco a valorização das artes negras aracajuanas no século XXI. 

Apoiada pela Lei Paulo Gustavo a partir da Prefeitura Municipal de Aracaju em 2024, a pesquisa nasce do desejo de combater o apagamento histórico de artistas negros nos registros oficiais da arte brasileira. Entre os nomes mapeados estão figuras como Elias Santos, Everlane Moraes, Davi Cavalcante, Sabrina Silva e Wendell Campos. 

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Ao total foram mapeados 14 artistas, sendo eles: Aline Viana, Elias Santos, Everlane Moraes, Felipe Campos de Sousa, Fillype Cruz dos Santos – Fillcolagem, José Éverton Santos, Luiz Mário Santos – Marinho, Matheus Vinicius Vieira – Mavi, Oliver Dantas, Sabrina Silva, Wécio Grillo, Wendell Campos e Aíla Omowale. Entretanto, a autora entende haver muito mais artistas visuais negros atualmente em Aracaju, mas que não se inscreveram no formulário dessa pesquisa. 

A quantidade aparenta ser pequena, porém, o mapeamento trata somente de artistas visuais negros atuantes no século XXI e em Aracaju. Ademais, ao verificar o mapeamento do Projeto Afro, principal referência de mapeamento de artistas negros no Brasil, somente cinco artistas negros sergipanos foram mapeados, sendo eles: Arthur Bispo do Rosário, Davi Cavalcante, Michel de Oliveira, Horácio Hora e Lúcio Telles. Desses cinco, dois são aracajuanos, sendo eles Lúcio Telles e Davi Cavalcante — que participou do mapeamento desta pesquisa. 

As influências artísticas dos participantes são reforçadas pela pesquisa constante sobre oralidade, ancestralidade e técnicas mistas, que permeiam a obra de artistas que buscam uma relação direta e indireta com suas origens africanas, ressignificando o passado e criando novos significados para o futuro através da arte. Esses artistas não somente se influenciam por ícones e símbolos afro-brasileiros, como também fazem um trabalho ativo de diversificação da arte negra brasileira, denominada na pesquisa como “afro-aracajuana”.

Os resultados mostram que a maioria dos artistas tem parte ou toda a renda oriunda da sua atividade artística e 85% dependem da participação em editais e exposições para manter sua atuação. A maior parte atua há mais de cinco anos e enfrenta como principais dificuldades questões estruturais, econômicas, geográficas e raciais. 

O mapeamento também revelou as áreas de atuação mais comuns entre os artistas visuais negros de Aracaju. Pintura e Desenho lideram a lista, presentes na maioria das respostas, seguidas por Gravura, Ilustração, Artesanato, Escultura e Fotografia. Outras linguagens, como Audiovisual, Colagem e Instalação, também aparecem, evidenciando a diversidade de técnicas e suportes explorados. Essa variedade demonstra a amplitude e a versatilidade da produção artística afro-aracajuana, que transita entre práticas tradicionais e contemporâneas. 

A valorização dos artistas negros é uma questão histórica que precisa ser abordada para haver um fortalecimento da diversidade dentro do campo artístico. A arte, como forma de expressão cultural e social, sempre foi um meio de resistência e de afirmação de identidade para os povos afrodescendentes. No entanto, artistas negros enfrentam frequentemente a marginalização em espaços artísticos hegemônicos, em que suas obras e suas histórias são silenciadas ou sub-representadas. 

De acordo com a pesquisadora, a pesquisa é também um passo para fomentar políticas públicas que valorizem a diversidade no setor cultural, “A arte negra é contemporânea, viva e essencial para a memória e a identidade de Aracaju. Dar visibilidade a esses artistas é uma forma de reconhecer a arte como território também de origens africanas”, afirma Aíla.

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