No ano em que o Carnaval de Salvador faz uma homenagem ao samba, o bloco carnavalesco Fogueirão Samba de Roda promete arrastar uma multidão no Campo Grande. Com o tema “Mães do Samba Guardiãs da Cultura Ancestral”, o bloco fará uma homenagem às matriarcas do gênero musical destacando a importância das mulheres para a valorização do gênero.
“O tema foi baseado principalmente na minha própria história. Quando a gente começou o Samba Fogueirão eu tinha 13 anos de idade e minha mãe sempre foi presente em tudo comigo, o tempo inteiro. A dona Wanda. Eu só fui registrado por ela e não tive pai. Então, tudo da minha vida foi minha mãe o tempo todo. Ela era madrinha do Samba Fogueirão, e se posicionou logo no início do Samba. O Samba só ia para lugares que ela podia ir”, afirma o cantor, compositor e fundador do bloco Jorge Fogueirão.
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Mas além da mãe do músico, o bloco vai reverenciar outras matriarcas que colaboraram para o fortalecimento do samba junino.
“Eu também tenho outro relato de outras mães. Tem a mãe Beth do Engenho Velho da Federação que é mãe de um amigo. Em uma ocasião, fomos impedidos de tocar no Carnaval e conseguimos graças à intervenção de mãe Beth. Temos ainda o relato de outra senhora que os ensaios do Samba eram na porta dela no Engenho Velho de Brotas, também chamada Dona Bete e aí por algum momento o marido dela não era muito a favor que tivesse o samba e, mais uma vez nós contamos com a intervenção de uma mãe”, acrescentou.
Para animar os foliões, o bloco vai contar com as apresentações musicais de Jorge Fogueirão, Caboquinho e Juninho Orisun, Dan Mocidade, Nei D’Resenha e Alan Dudu, na quinta-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro no tradicional circuito Osmar (Campo Grande), às 21 horas.
Os foliões que quiserem acompanhar o bloco podem adquirir a fantasia no quiosque Samba Vivo localizado no piso L4 do Shopping Piedade, no salão Irmãs de Valdir no Shopping Vasco da Gama ou através dos telefones 71 98746-7266 e 71 9183-6229.
Samba Fogueirão
O Fogueirão surgiu no ano de 1987 impulsionado pelo movimento do samba Junino que ocorria nos bairros do Engenho Velho de Brotas, Engenho Velho de Federação, Liberdade, Nordeste de Amaralina no final dos anos 1960, ganhando notoriedade nos anos 1970 e 1980, dando identidade musical a grupos de percussão e músicos que participavam das chamadas festas de Largo de Salvador que estavam aliadas as festas de calendários religiosos.
Muitos dos atuais dirigentes e fundadores dos Blocos Afro e Samba tiveram relações diretas com o samba junino, antes do surgimento do primeiro bloco afro, tocando os mais variados instrumentos de percussão disponíveis no período e até mesmo fundadores.
Desde seu surgimento a jornada do Fogueirão o levou a ser um representante local e comunitário, e passa a realizar eventos calendarizados da cultura afro baiana, passando a ter personalidade jurídica em 2008, para garantia do legado da ancestralidade africana.