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Ilú Obá De Min reverencia Ifátinùké no Carnaval de rua de São Paulo

Bloco realiza os cortejos em fevereiro, na sexta-feira (13), e no domingo (15), celebrando a ancestralidade e a força do matriarcado negro 
Cortejo do Ilú Obá De Min.

Cortejo do Ilú Obá De Min.

— Divulgação/Maneco Guimarães

1 de fevereiro de 2026

Em 2026, o bloco Afro Ilú Obá De Min retorna às ruas de São Paulo com a Ópera Negra Obaomin – A Soberania de Yemanjá Ogunté,  que traz o enredo “Ifátinuké – Iyá-Olobá do Axé Transatlântico”, uma ‘femenagem’ à vida e ao legado de Ifátinùké, também conhecida no Brasil como Inês Joaquina da Costa, importante sacerdotisa africana cuja trajetória simboliza os fluxos transatlânticos de saberes, espiritualidade e organização política do povo iorubá. 

Reafirmando o Carnaval como espaço de celebração, memória e revolução cultural, os cortejos acontecem em fevereiro, na sexta-feira (13), abrindo oficialmente o Carnaval de rua de São Paulo, às 20h, com saída da Praça da República; e no domingo (15), às 14h, a saída acontece em frente a Cia Livre (Rua Conselheiro Brotero 195). 

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Ao todo, cerca de 400 integrantes conduzirão uma potente riqueza sonora, que transita pelas tradições dos afoxés e dialoga com ritmos da cultura popular, como o maracatu e o coco de roda. 

A Ópera Negra Obaomin – A Soberania de Yemanjá Ogunté, se materializa em um grande coro ancestral, formado por 99 agogôs, 58 xequerês, 71 djembês e 91 alfaias, sob a regência das mestras Beth Beli, Girlei Miranda e Adriana Aragão, 37 dançantes do Ayê, 15 pernaltas do Orun, 12 vozes cantando a oralidade, e cuidada por uma Harmonia com 44 integrantes, garantindo o movimento coletivo do bloco. 

“A Ópera Negra nasce desse gesto de iluminar as memórias das mulheres de terreiro e reafirmar os terreiros como espaços de pertencimento, reconstrução comunitária e resistência. Guiada pela soberania de Yemanjá, essa Ópera é continuidade histórica, fabulação ancestral e travessia: na sexta-feira, dia 13, a Ilú Obá vai aguar São Paulo com águas enraizadas de África”, contou a diretora artística Mafalda Pequenino.

Durante os cortejos, haverá o Abre-Alas, “As Mantenedoras do Axé”, trazendo como convidadas as mães de santo, yalodês, lideranças quilombolas e irmandades. “Nós vamos falar da história dessas mulheres que estiveram à frente da luta das aberturas das casas de candomblé e que firmaram o matriarcado africano. Ifatinuké ressignificou essa organização matriarcal africana em terras brasileiras que é o que nos mantém vivas, que é o que mantém a sociedade afro-brasileira em pé”, completou Mafalda.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Coletivo Coletores apresenta uma variedade de linguagens visuais e tecnológicas, unindo arte e território por meio de projeções, em diálogo com a Sirius Drones, responsável pela cobertura aérea e transmissão do desfile. 

Ifátinùké, Tia Inês

Oriunda de Oyó, um dos mais poderosos reinos da atual Nigéria, Ifátinùké pertencia ao povo Egbá, fundador da cidade de Abeokuta. Africana liberta, desembarcou no Brasil em 1870, chegando por Salvador e seguindo para Recife, onde se estabeleceu inicialmente no bairro de São José. Dois anos depois, fundou o Terreiro Iemanjá Ogunté Obaomin, casa matriz do culto iorubá-nagô/Xangô em Pernambuco, dedicada à soberana das águas, Iemanjá, e referência fundamental na formação das religiões de matrizes africanas no país.

Conhecida como Tia Inês, Ifátinùké foi uma exímia matriarca, liderança religiosa, política e comunitária. Guardiã do culto aos ancestrais, deixou um legado profundo de axé, fortalecendo a centralidade do matriarcado nagô e o protagonismo feminino na constituição do sagrado afro-brasileiro. Mesmo sem filhos consanguíneos, adotou e formou descendentes espirituais e familiares, perpetuando sua linhagem e sua obra. Sua passagem para o Orun ocorreu em 1919, e o terreiro que fundou — hoje conhecido como Sítio do Pai Adão — celebra 150 anos de existência, sendo um dos mais antigos em atividade no Brasil.

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