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Omolu, o orixá celebrado em agosto e que simboliza a cura

O Babalorixá Rodney William compartilha a história do orixá Omolu e como ocorre a cerimônia do Olubajé, tradicionalmente em agosto
Ilustraçõ da figura do orixá Omolu.

Ilustraçõ da figura do orixá Omolu.

— Nathi de Souza/Arquivo/Alma Preta

16 de agosto de 2025

Durante o mês de agosto, especialmente no dia 16, as religiões de tradição africana como a Umbanda e o Candomblé celebram Omolu, orixá conhecido como o mais rico do panteão africano e associado à cura.

“Além disso, celebra-se São Roque e São Lázaro, santos que foram sincretizados com Omolu e dos quais o orixá assimilou a data”, destaca o babalorixá e doutor em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), Rodney William, em entrevista  à Alma Preta

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Em um dos itãs mais conhecidos — narrativas da mitologia africana — Omolu é filho de Nanã, orixá que representa o princípio da criação, a sabedoria dos mais velhos e o elo entre a vida e a morte.  

Segundo Rodney, Omolu nasceu com problemas de saúde e o corpo coberto por chagas. Por isso, sua mãe o entregou a Iemanjá, que o acolheu. “Omolu cresceu cheio de complexos e para esconder suas marcas vestiu-se com um capuz de palha da costa”, afirma.

Diante da exclusão e do abandono por suas características físicas, Omolu foi a uma festa em que todos os orixás o repudiaram, até mesmo Iansã, que se dispôs a dançar com ele. No entanto, os ventos de Iansã levantaram as palhas que cobriam Omolu, mostrando sua beleza e brilho. “Omolu era o sol e cobria-se para não ofuscar com sua luz e calor intensos”, compartilha o Balalorixá.

Considerado uma divindade inflexível, Omolu era temido por espalhar epidemias e deixar rastros de dor e destruição por onde passava. No entanto, segundo o itã, o povo mahi descobriu que poderia acalmá-lo com oferendas de pipoca. “Quando adentrou o território dos mahi foi recebido com muitos balaios de pipoca. Ficou tão contente que curou a epidemia de varíola e passou a ser o rei daquele povo”, conta.

Responsável por afastar epidemias que afetam o corpo físico, Omolu também é o orixá que traz saúde. Segundo Rodney, para os adeptos às religiões afro, o mês de agosto é marcado por maus presságios e considerado mais suscetível a doenças, mortes e catástrofes.

“Dizer que Omolu é o orixá da doença simboliza seu domínio e destemor no enfrentamento das epidemias. Nossa crença evoca o poder desse orixá para varrer da terra as dores, a peste e a maldade”.

Cerimônia do Olubajé homenageia Omolu

Realizada todos os anos em agosto, a cerimônia do Olubajé atrai aos terreiros pessoas que buscam a cura por meio da fé, sendo apresentadas aos preceitos do “banquete do rei”, ritual que visa agradar à divindade e preservar as tradições das religiões afro-brasileiras. 

Antes do momento do culto, há uma série de preceitos. Em sua comunidade, o Ilê Oba Ketu Axé Omi NLá, Rodney William explica que as rezas começam na última segunda-feira de julho e seguem nas segundas-feiras de agosto até o dia da celebração.

Na ocasião, o Olubajé acontece na última segunda-feira do mês, quando é servido o banquete sagrado de Omolu. O público presente é convidado a comer o alimento ritualístico como forma de fortalecer o corpo e evitar doenças.

“Os assentamentos do orixá vêm para o centro do barracão e  todos são convidados a trazer os nomes das pessoas adoentadas e seus pedidos de cura”, conta.

O Babalorixá destaca ainda que a cerimônia é fundamental porque “a saúde é nosso bem mais precioso”. Essa cerimônia evoca humildade e desprendimento, mostrando que não adianta ter todo dinheiro do mundo se não temos saúde”, acrescenta.

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  • Thayná Santana

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