PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Poeta Jordan concorre ao Mix Literário com obra sobre homoafetividade negra na história do Brasil

Livro "Coisa Feita — Dois Preto Apaixonado na Cama", já vencedor do Prêmio Caio Fernando Abreu, disputa o Coelho de Prata e reafirma linguagem HomoAfroErótica como instrumento de memória e resistência
O escritor e slammer Jordan, autor da obra "Coisa Feita — Dois Preto Apaixonado na Cama", que concorre ao prêmio Mix Literário.

O escritor e slammer Jordan, autor da obra "Coisa Feita — Dois Preto Apaixonado na Cama", que concorre ao prêmio Mix Literário.

— Leticia França/Divulgação

22 de novembro de 2025

O escritor, slammer e poeta Jordan concorre ao prêmio Mix Literário. O autor, nascido em Camaçari, na Bahia, e residente em São Paulo, poderá ganhar o coelho de prata pela obra “Coisa Feita – Dois Preto Apaixonado na Cama”, publicado pela Editora Reformatório. A premiação acontece neste domingo (23), às 17h, na Biblioteca Mário de Andrade, na capital paulista, durante o Festival Mix.

A obra, vencedora do Prêmio Caio Fernando Abreu de 2023, reúne poesias que percorrem diferentes períodos da história do Brasil para registrar a vivência homoafetiva entre homens negros. O livro tem 124 páginas e propõe a formulação de uma linguagem poética que Jordan define como HomoAfroErótica, dedicada a discutir corpo, erotismo e identidade como práticas de resistência e memória.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Escrita majoritariamente em pretuguês e bajubá, a coletânea reorganiza o vocabulário e desafia a norma culta. Jordan apresenta essa escolha como afirmação política:

“A próclise está podre. A linguagem do colonizador está avexada com o silêncio iminente. Premiações como essas significam que vale a pena continuarmos falando e escrevendo a linguagem neutra (ainda que proibida), o bajubá e o pretuguês. Porque o futuro é AfroSapiens e ele já começou”, afirmou à Alma Preta.

Imagem da capa do livro “Coisa Feita”, de Jordan, slammer e escritor negro. A obra, que aborda a homoafetividade negra em diferentes momentos da história do Brasil. Foto: Divulgação

Narrativas atravessam pós-abolição, ditadura militar e o presente

Os poemas transitam por períodos históricos distintos. No pós-abolição, a escrita revisita formas de afeto interditadas em um contexto de liberdade incompleta. A obra também aborda episódios da ditadura militar, com referências a homens detidos ou internados por sua sexualidade. 

Textos ambientados no tempo atual observam tensões e permanências, enquanto projeta um futuro mais aberto à pluralidade afetiva e sexual. No lançamento, Jordan destacou à reportagem que o livro se originou de uma demanda coletiva.

“Escrever este livro foi atender pedidos. Não é apenas um depoimento meu, mas um retrato de histórias e sonhos de diversos homens pretos e gays”, explicou. “Coisa Feita” atribui ao afeto o papel de reorganizar subjetividades e criar vínculos que funcionam como um quilombo simbólico. Para Jordan, o encontro entre homens pretos amplia a autoestima e o pertencimento.

“O afeto gera identificação, reconhecimento. Ele melhora nossa autoestima, traz conforto e nos permite imaginar novas formas de existir para além da objetificação.”

O erotismo aparece como campo de reconstrução, distante da hipersexualização e da invisibilidade impostas a corpos pretos. Nos poemas, ele se torna experiência sensorial, política e histórica.

Além de poeta, Jordan atua como dramaturgo e compositor. Publicou duas peças de teatro e participa de forma ativa da cena de poesia falada em São Paulo. Nascido em Camaçari (Bahia), vive atualmente na capital paulista, onde desenvolve projetos artísticos que articulam literatura, performance e memória negra.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano