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Brasil, Colômbia, Argentina e Nigéria lançam rede para conectar cinemas da diáspora africana

Iniciativa reúne festivais, plataforma de streaming e organizações culturais para ampliar a circulação de filmes, fomentar coproduções e fortalecer a cooperação entre África e América Latina
Imagem mostra uma mulher negra sentada e sorrindo para uma criança negra.

Cena do filme "A Lenda da Rainha Errante de Lagos".

— Leo Purman

4 de julho de 2026

Memória, território, ancestralidade e futuro. É dessa premissa que nasce a Rede Ubuntu dos Cinemas Afrodiaspóricos, articulação internacional que une Brasil, Colômbia, Argentina e Nigéria para criar novos caminhos de circulação, coprodução e difusão dos cinemas africanos e da diáspora. O lançamento será realizado entre os dias 6 e 11 de julho, no Bogotá Audiovisual Market (BAM), na Colômbia.

A iniciativa nasce da articulação entre a UBUplay, plataforma brasileira dedicada aos Cinemas Negros; o Quibdó Africa Film Festival (QAFF), da Colômbia; o Africa International Film Festival (AFRIFF), da Nigéria; e o Festival Internacional de Cine Africano en Argentina (FICAA), da Argentina, que integram o núcleo fundador da rede.

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A proposta é construir uma infraestrutura permanente de cooperação internacional capaz de conectar festivais, plataformas digitais, realizadores, produtoras, distribuidoras, universidades, pesquisadores, curadores, arquivos, instituições culturais e públicos em diferentes territórios.

A Rede Ubuntu surge como resposta a um desafio histórico enfrentado pelos cinemas negros, africanos e afrodiaspóricos: a fragmentação dos circuitos de circulação e a dificuldade de permanência das obras após festivais e mostras. Em muitos casos, filmes realizados por cineastas negros alcançam reconhecimento em eventos pontuais, mas deixam de estar acessíveis aos públicos por falta de mecanismos contínuos de distribuição, licenciamento, preservação e formação de audiência.

De acordo com o fundador e diretor-geral da Ubuplay, o cineasta, produtor cultural e pesquisador Marcio Brito Neto, a Rede Ubuntu pretende enfrentar esse cenário por meio da criação de corredores permanentes de cooperação entre África, América Latina, Caribe, Europa e demais territórios da diáspora africana.

“Sua missão é transformar conexões já existentes em uma estrutura colaborativa de longo prazo, ampliando o acesso de filmes afrodiaspóricos a novos mercados, públicos, plataformas e espaços de formação” afirma.

Leia mais: Ubuplay: plataforma brasileira dedicada ao cinema negro reforça diversidade no audiovisual

Cooperação

Inspirada na filosofia africana Ubuntu, frequentemente traduzida pela ideia de que “eu sou porque nós somos”, a rede se orienta por princípios como cooperação, reciprocidade, autonomia territorial, diversidade cultural, circulação, acesso, memória, preservação e sustentabilidade. A proposta reconhece que o fortalecimento de uma cinematografia fortalece todo o ecossistema afrodiaspórico.

“A Rede Ubuntu nasce para transformar encontros em infraestrutura, circulação em permanência e cooperação em desenvolvimento compartilhado. Estamos falando de uma articulação que não pretende centralizar, mas conectar competências, territórios e instituições que já atuam de forma potente em seus contextos”, complementa Márcio.

Lançamento na Colômbia

A escolha da Colômbia como palco do lançamento reforça o papel do QAFF na articulação entre África, América Latina e diásporas africanas. Sediado na região do Chocó, território historicamente marcado pela presença afrodescendente no Pacífico colombiano, o Quibdó Africa Film Festival consolidou-se como uma importante plataforma de exibição, formação de públicos, intercâmbio cultural, desenvolvimento de mercados e cooperação internacional.

A presença brasileira na rede também evidencia a importância do país no debate internacional sobre diáspora africana, audiovisual e economia criativa. Com uma das maiores populações afrodescendentes do mundo fora do continente africano, o Brasil ocupa posição estratégica para a formação de públicos, circulação de obras, desenvolvimento de mercados e fortalecimento de iniciativas voltadas aos cinemas negros e afrodiaspóricos.

Leia mais: 11 filmes e documentários sobre a experiência negra para assistir na Tela Brasil

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