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Inspirado em Carolina Maria de Jesus, livro reúne histórias de catadoras do Brasil

'Quarentena da resistência'reúne relatos de 21 catadoras de recicláveis, que, assim como a escritora Carolina Maria de Jesus, encontraram na escrita uma forma serem as protagonistas das suas próprias histórias

Três mulheres negras usam coletes azuis e estão catando recicláveis

Três mulheres negras usam coletes azuis e estão catando recicláveis

— Foto: Elizabeth Nader/Prefeitura de Vitória

14 de janeiro de 2022

Vulnerabilidade social, violência doméstica, fome e racismo são alguns dos relatos comuns compartilhados por 21 catadoras de materiais recicláveis de diferentes cidades do Brasil, que, assim como a escritora e catadora Carolina Maria de Jesus, encontraram na escrita uma forma de partilhar as suas dores e tomarem o protagonismo das suas próprias histórias.

As histórias estão reunidas nas 243 páginas do livro ‘Quarentena da resistência’, publicado pela editora Coopacesso, que conta a história de catadoras de materiais recicláveis de forma intimista e a busca dessas mulheres, de maioria negra e chefes de família, por melhores condições de vida e oportunidade. O livro está disponível para download no site da Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma das parceiras do projeto.

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Durante sete meses, as trabalhadoras participaram de uma formação virtual com oficinas de criação literária e escrita através da leitura do livro ‘Quarto de Despejo: Diário de uma favelada’, da escritora Carolina Maria de Jesus. Por meio das trocas de experiências e debates, as catadoras compartilharam sobre as suas realidades. Cada participante recebeu uma bolsa de estudos mensal com valor de R$ 385 para os custos de internet e cestas básicas.

Leia também: Biografia de Carolina Maria de Jesus é relançada em São Paulo

“Inspiradas em Carolina Maria de Jesus, as catadoras, trabalhadoras severamente atingidas pela pandemia, em sua maioria negras, encontraram um lugar de fortalecimento e luta pela palavra e compartilhamento das dores e afetos. O potencial trazido pela literatura, a partir de reflexões sobre trabalho, racismo, gênero e outras questões que atravessam a vida das catadoras, reflete na organização do grupo e na defesa de direitos”, afirma Elisiane dos Santos, procuradora do Trabalho do MPT-SP e uma das idealizadoras do projeto.

A ideia do livro surgiu em meio a pandemia de Covid-19, período em que grupos em situação de vulnerabilidade sofreram impactos devastadores, sobretudo os catadores e catadoras de materiais recicláveis, expostos a condições de trabalho precárias e baixa remuneração.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Ministério Público do Trabalho (MPT) de São Paulo, a Festa Literária das Periferias (FLUP) e a Cooperativa Central do ABC (Coopcent ABC), com o apoio da Universidade Federal do ABC (UFABC) e os Laboratórios da Palavra e de Teorias e Práticas Feministas do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da Faculdade de Letras/UFRJ.

‘O resgate da história de organização da categoria profissional, agora em livro, mostra à sociedade a importância fundamental do trabalho que realizam, ao tempo em que cobra do Poder Público as condições e políticas públicas para a valorização e reconhecimento do trabalho de milhares de mulheres e famílias no Brasil, trabalho este do qual depende a vida das pessoas e do planeta. Essa obra deve ser lida por todos e todas”, ressalta Elisiane.

Leia também: “Desafiou a ideia de quem podia ser escritor no país”, diz curadora de exposição sobre Carolina Maria de Jesus

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