Dados do Ministério da Saúde indicam que a mortalidade materna entre mulheres negras é mais que o dobro de mulheres brancas. A informação foi divulgada em audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) no dia 19 de maio.
A presidente da comissão, deputada estadual Renata Souza (PSOL), destacou que o índice de mortalidade entre as mulheres brancas é de 46,56 mortes por 100 mil nascidos vivos. Para as negras, o número salta para 100,38.
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Souza também citou dados do Observatório da Saúde Pública, que apontam para a maior incidência de hipertensão e diabetes entre as mulheres negras, além de dificuldades de acesso precoce ao pré-natal e ao diagnóstico de câncer.
“As mulheres negras sofrem com dois gatilhos importantes, que são o machismo e o racismo institucional. A gente está numa perspectiva de uma PEC dentro da Casa para criar um fundo de reparação para a população negra em geral, diante do genocídio histórico que nos foi imposto”, destacou a parlamentar.
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Para a educadora, pesquisadora e líder religiosa Iyá Katiuscia de Yemanjá, as mulheres negras enfrentam violações no acesso básico à saúde fluminense, como dificuldades de continuidade nos exames de rotina e interrupções de tratamento.
“Mulheres negras não conseguem prosseguir com os tratamentos ou mesmo retornar a uma consulta de rotina, sendo negligenciadas com informações sobre sua própria saúde. É fato que nosso corpo é o que cuida, mas perece por falta de cuidados”.
A reunião contou também com a presença da ouvidora da Defensoria Pública, Fabiana Silva; da superintendente de Igualdade Social do Rio de Janeiro, Iana Moreira; e de representantes da sociedade civil.
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