PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Brasil condena decisão de Israel de facilitar ocupação de território palestino

Governo brasileiro afirma que decisão viola direito internacional e resoluções da ONU; chefe de direitos humanos da ONU alerta para inviabilização do Estado palestino
Homens palestinos aguardam à beira de uma estrada ao lado de bandeiras israelenses nos arredores da vila de Al-Lubban ash-Sharqiya, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 11 de fevereiro de 2026.

Homens palestinos aguardam à beira de uma estrada ao lado de bandeiras israelenses nos arredores da vila de Al-Lubban ash-Sharqiya, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 11 de fevereiro de 2026.

— John Wessels/AFP

11 de fevereiro de 2026

O governo brasileiro divulgou nota oficial na qual condena as medidas aprovadas em 8 de fevereiro pelo gabinete de segurança de Israel. As decisões alteram regras para registro de terras e facilitam a aquisição de imóveis por cidadãos israelenses na Cisjordânia, território do Estado da Palestina. O pacote também confere novas atribuições administrativas e de fiscalização a agências do governo israelense na região.

De acordo com a manifestação do Ministério das Relações Exteriores, também chamado de Itamaraty, a implementação das medidas favorecerá a expansão de assentamentos ilegais e ampliará a ingerência de Israel sobre o território palestino ocupado. O Brasil classifica a decisão como flagrante violação do direito internacional e das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O governo brasileiro recordou o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça, emitido em 19 de julho de 2024. A Corte considerou ilícita a presença contínua de Israel no território palestino ocupado e determinou a obrigação de cessar imediatamente novas atividades em assentamentos e evacuar todos os moradores.

As medidas aprovadas contrariam diretamente essa determinação. O Brasil afirmou que Israel deve se abster de adotar ações unilaterais equivalentes à anexação do território palestino ocupado. A nota destaca que tais ações ameaçam a viabilidade da solução de dois Estados e a possibilidade de uma paz justa e sustentável no Oriente Médio.

ONU alerta para inviabilização do Estado palestino

O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, também se manifestou sobre a decisão israelense. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (11), Türk classificou as medidas como mais um passo das autoridades israelenses para tornar inviável um Estado palestino viável, em violação ao direito à autodeterminação do povo palestino.

“Se implementadas, as decisões acelerarão, sem dúvida, a expropriação de palestinos e sua transferência forçada, além de levar à criação de mais assentamentos israelenses ilegais”, afirmou Türk em comunicado

O alto comissário alertou que a medida privará ainda mais os palestinos de seus recursos naturais e restringirá o gozo de outros direitos humanos.

As medidas aprovadas ampliam a autoridade civil israelense para as Áreas A e B da Cisjordânia, que juntas correspondem a aproximadamente 40% do território. De acordo com os Acordos de Oslo, assinados na década de 1990, parte dessas competências pertence à Autoridade Palestina.

A mudança na legislação permitirá que autoridades e indivíduos israelenses adquiram terras nessas áreas, o que viola o direito da ocupação. “Isso consolidará ainda mais o controle e a integração da Cisjordânia ocupada em Israel, efetivando a anexação ilegal”, declarou Türk.

Israel também estabelecerá controle administrativo sobre outro local sagrado, o Túmulo de Raquel, em Belém, com o objetivo de acelerar a expansão de assentamentos. Türk afirmou que a medida viola não apenas os direitos territoriais dos palestinos, mas também seus direitos culturais em relação a sítios de particular significado.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano