O governo da África do Sul afirmou que a chegada de 153 palestinos a Joanesburgo, na quinta-feira (13), indica uma possível operação coordenada para retirar moradores de Gaza e da Cisjordânia. O grupo desembarcou em um voo fretado, sem carimbos de saída de Israel nos passaportes, o que levou o Ministério das Relações Exteriores a classificar o episódio como “suspeito”.
Segundo o ministro Ronald Lamola, o caso sugere “uma agenda clara para limpar os palestinos” dos territórios ocupados. Ele declarou que o governo não deseja receber novos voos até que o contexto das viagens seja esclarecido.
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“Não queremos mais voos em nosso caminho porque esta é uma agenda para limpar palestinos de Gaza e da Cisjordânia… o que a África do Sul é contra”, disse Lamola. “Parece representar uma agenda mais ampla para remover palestinos da Palestina… é uma operação orquestrada”.
A entrada dos 153 passageiros foi autorizada apenas após 12 horas dentro da aeronave, quando o presidente Cyril Ramaphosa concedeu permissão de entrada com visto padrão de 90 dias.
Dois voos em menos de um mês
O episódio não foi isolado. Uma ONG local, a Gift of the Givers, revelou que outro grupo de 176 palestinos havia desembarcado em 28 de outubro, também em circunstâncias irregulares. A entidade presta apoio humanitário aos recém-chegados.
Representantes da ONG relataram que muitos passageiros acreditavam estar a caminho de outros países — como Indonésia, Índia ou Malásia — e que teriam pago cerca de US$ 2 mil a uma organização chamada Al-Majd, apontada como responsável pelo traslado. Parte dos viajantes descobriu que o destino final era a África do Sul apenas ao pousar.
A acomodação prometida pelo grupo intermediário teria sido reservada para apenas uma semana, e após o desembarque o contato com a organização desapareceu.
A embaixada palestina na África do Sul declarou que os dois voos foram organizados por uma entidade “não registrada e enganosa” que teria explorado o desespero de famílias em Gaza. A representação diplomática afirmou que o grupo recolheu dinheiro e coordenou viagens de forma irregular e irresponsável.
Ao tentar contato com a organização Al-Majd, a Agence France-Presse (AFP) encontrou números de telefone inativos e um endereço associado a um bairro de Jerusalém Oriental, sem confirmação de sede ou atividade institucional.
Contexto político amplia repercussão
As autoridades israelenses confirmaram que o grupo pôde sair de Gaza apenas após receber “aprovação de um terceiro país” para recebê-los, sem identificar quem teria dado o aval. A rota teria incluído saída pelo aeroporto Ramon, em Israel, conexão em Nairóbi e novo embarque até Joanesburgo
Parte dos recém-chegados manifestou intenção de solicitar asilo na África do Sul, segundo a Gift of the Givers.
O caso ocorre na semana em que a África do Sul se prepara para sediar a cúpula do G20 e mantém intensa atuação diplomática em defesa da Palestina. Desde 2023, o país move um processo contra Israel na Corte Internacional de Justiça, alegando genocídio em Gaza.
O governo sul-africano afirma que a possível dispersão forçada de palestinos para países ao redor do mundo representa ameaça direta ao direito de permanência em seu território de origem. Lamola afirmou que o episódio “parece fazer parte de uma operação orquestrada” e que o país já iniciou uma investigação formal sobre as circunstâncias dos voos.