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Quatro novos países reconhecem Estado palestino na ONU; população de Gaza celebra ‘vitória moral’

Anúncio coletivo na Assembleia Geral gerou críticas de Israel; EUA condenam 'gestos teatrais' de aliados
Um funcionário coloca a bandeira palestina ao lado da bandeira francesa, da bandeira de Lyon e da bandeira da União Europeia, na entrada da Prefeitura de Lyon, no leste da França, no dia em que a França planeja o reconhecimento do Estado Palestino nas Nações Unidas, em 22 de setembro.

Um funcionário coloca a bandeira palestina ao lado da bandeira francesa, da bandeira de Lyon e da bandeira da União Europeia, na entrada da Prefeitura de Lyon, no leste da França, no dia em que a França planeja o reconhecimento do Estado Palestino nas Nações Unidas, em 22 de setembro.

— Olivier Chassignole/AFP

22 de setembro de 2025

A França anunciou nesta segunda-feira (22) que planeja reconhecer o Estado palestino durante reunião da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, juntando-se a uma onda de países que oficializaram a decisão no fim de semana, entre eles Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal. 

A decisão ocorre enquanto Israel intensifica os ataques em Gaza. No domingo (21), ao menos 32 pessoas morreram vítimas de bombardeios israelenses. Desde o início da guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou 1.219 pessoas em Israel, mais de 65 mil palestinos perderam a vida, a maioria civis, segundo dados locais confirmados pela ONU.

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O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, classificou o reconhecimento como “um passo importante e necessário para uma paz justa e duradoura”. Entretanto, diplomatas alertam que a escalada de violência e a resistência de Israel podem dificultar avanços concretos no processo de paz.

Outros países europeus, como Andorra, Bélgica, Luxemburgo, Malta e San Marino, também se preparam para formalizar o reconhecimento, segundo a presidência francesa. Pelo menos 145 dos 193 países-membros da ONU já reconhecem a Palestina, embora a aspiração de se tornar membro pleno siga bloqueada pelos Estados Unidos.

Reações internacionais

O presidente Emmanuel Macron afirmou que a decisão busca reforçar a solução de dois Estados. “Se queremos isolar o Hamas, o processo de reconhecimento e o plano de paz que o acompanha são uma condição prévia”, declarou.

O governo israelense reagiu. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que não haverá Estado palestino e prometeu ampliar a colonização na Cisjordânia. Dois ministros de extrema direita, Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, pediram a anexação do território.

Os Estados Unidos criticaram o movimento de aliados e classificaram a decisão como “gestos teatrais”. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, defendeu o reconhecimento e afirmou que a comunidade internacional não deve se intimidar diante de possíveis represálias de Israel.

Em Gaza, moradores relataram esperança diante da decisão. “Demonstra que o mundo finalmente começa a ouvir nossa voz, e isso, por si só, é uma vitória moral”, disse à AFP Salwa Mansur, de 35 anos, deslocada pela guerra. Para Mohamed Abu Jusa, de 23 anos, o reconhecimento “mina a legitimidade de Israel” e representa “um novo impulso de esperança”.

Na Cisjordânia ocupada, porém, prevaleceu a desconfiança. “Alguns países já reconheceram a Palestina há anos, mas não trouxe resultado algum”, afirmou Mohamed Azam, morador de Ramallah.

Brasil reconhece Estado palestino desde 2010

O Brasil foi um dos primeiros países da América Latina a reconhecer oficialmente o Estado palestino conforme as fronteiras de 1967, ainda em 2010. Na ocasião, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu uma carta de Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Nacional Palestina, pedindo o reconhecimento. Abbas destacou que a decisão seria histórica e encorajaria outros países do continente a seguir o mesmo caminho.

Em resposta, Lula aceitou o pedido e afirmou acreditar que o reconhecimento era o melhor caminho para a paz no Oriente Médio. O embaixador da Autoridade Palestina em Brasília comemorou a decisão brasileira.

Antes disso, o Brasil já havia dado passos diplomáticos importantes: em 1975 reconheceu a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) como representante legítima do povo palestino; em 1993 autorizou a abertura da Delegação Especial Palestina no país, com status diplomático semelhante ao de representações de organismos internacionais; e em 1998 equiparou esse tratamento ao de uma embaixada.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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