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Prisão domiciliar humanitária, concedida a Bolsonaro, poderia beneficiar mães presas

Pesquisa indica que, em três semestres, o Brasil registrou 897 detentas grávidas ou lactantes, contrariando o benefício de prisão domiciliar previsto na legislação
Uma mulher encarcerada com seu filho no colo.

Uma mulher encarcerada com seu filho no colo.

— Reprodução/CNJ

25 de março de 2026

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o cumprimento de pena em prisão domiciliar por 90 dias para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses por golpe de Estado e outros quatro crimes. 

O benefício temporário foi concedido após uma internação hospitalar por broncopneumonia aspirativa e contará a partir do dia em que o ex-presidente receber alta do hospital DF Star. Bolsonaro está internado desde 13 de março, após passar mal no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. 

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A decisão, emitida pelo ministro e relator Alexandre de Moraes atende ao pedido da defesa por prisão domiciliar humanitária e destaca que a medida é a “indicação mais razoável” para a recuperação do ex-presidente. 

O Código Penal especifica que a medida excepcional poderá ser concedida a presos provisórios ou condenados em condições graves de saúde, idade avançada ou necessidade de cuidar de dependentes, com a utilização de monitoramento eletrônico. Não estão incluídos casos de crimes reiterados ou violentos. 

Em 2025, o Supremo estendeu a aplicação da norma para gestantes, puérperas e mães de crianças de até 12 anos e assegurou a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar nesses casos. 

No entanto, de acordo com um levantamento divulgado pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), o benefício não tem sido aplicado no sistema carcerário brasileiro. 

Dados do Sistema de Informações do Departamento Penitenciário Nacional (SISPEDEN) indicam que, somados três semestres entre 2023 e 2025, cerca de 897 mulheres presas estavam grávidas ou amamentando. O mesmo período apresentou um total de 309 crianças vivendo dentro das penitenciárias com as mães.

O segundo semestre de 2023 registrou o maior número de presas grávidas, com 333 mulheres nessas condições. A pesquisa destaca um pico de crianças no sistema prisional no mesmo período em 2024, totalizando 120 filhos e filhas. 

A desigualdade nas penas alternativas também afeta as mulheres negras, que, conforme aponta a Fundação Oswaldo Cruz, representam a maioria das detentas mães nas prisões femininas (cerca de 70%).

Texto com informações do ICL Notícias.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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