O deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) protocolou uma representação no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) contra a Bancada Feminista do PSOL, mandato coletivo composto por cinco mulheres negras, com o pedido de cassação do mandato por ter sido mencionado nas redes sociais.
O parlamentar foi acusado pela ex-esposa, a influenciadora Cíntia Chagas, de agressão, mas nega as acusações. Em agosto, um processo pela cassação de seu mandato foi arquivado no Conselho de Ética. A codeputada Paula Nunes, da Bancada Feminista, é a única mulher no Conselho e foi a única que defendeu a admissibilidade do processo contra o deputado.
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Bove acusa Paula de ter propagado “fake news” ao chamá-lo de “agressor de mulher” em vídeos publicados no Instagram, o que configuraria calúnia e difamação.
Na opinião de Paula Nunes “a representação é injusta e mais uma forma de tentativa de intimidação”. “É sintomático que a resposta dele seja tentar impedir o exercício do nosso mandato, que foi eleito democraticamente e que tem o compromisso de defesa dos direitos das mulheres, trata-se de repetição da prática de violência política de gênero e raça”, destacou a codeputada da Bancada Feminista, em comunicado à imprensa.
Acusação de agressão
A influenciadora digital Cíntia Chagas, ex-esposa de Lucas Bove, registrou um boletim de ocorrência contra o deputado estadual em setembro de 2024. Ela o acusou de agressões físicas e psicológicas, o que resultou em medida protetiva e investigação conduzida pela 3ª Delegacia de Defesa da Mulher.
O episódio relatado por Cíntia teria ocorrido no mês anterior, durante o casamento da filha do empresário Paulo Junqueira, em Ribeirão Preto. Segundo o boletim de ocorrência, o deputado teria atirado uma faca contra a então esposa após ela se recusar a interromper o jantar para posar em uma foto com Jair e Michele Bolsonaro. O objeto teria atingido a perna da influenciadora, causando ferimento.
A denúncia contra o parlamentar no Conselho de Ética foi protocolada pela deputada estadual Mônica Seixas (PSOL-SP), a única que votou por sua cassação. Todos os parlamentares homens que estavam presentes na votação votaram contra a perda do mandato e o pedido foi arquivado em 26 de agosto de 2025.
Em sua defesa, Lucas Bove afirmou que o processo corre em segredo de Justiça, o que limitaria sua capacidade de apresentar esclarecimentos públicos.