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Número de eleitores indígenas e quilombolas cresce e quase dobra em 2026

TSE registra 287 mil indígenas e 188 mil quilombolas aptos a votar; Norte concentra 47% dos eleitores indígenas e Nordeste mais da metade dos quilombolas
Um cacique digita o seu voto na urna eletrônica.

Um cacique digita o seu voto na urna eletrônica.

— Reprodução/TRE-MT

21 de julho de 2026

O número de eleitoras e eleitores indígenas e quilombolas registrados no cadastro da Justiça Eleitoral cresceu de forma expressiva entre as eleições municipais de 2024 e as eleições gerais de 2026. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o eleitorado indígena aumentou 84%, enquanto o quilombola registrou alta de 97% no período.

Segundo as estatísticas do TSE, o eleitorado indígena passou de 155.661 pessoas em 2024 para 287.157 em 2026, um acréscimo de 131.496 registros. Entre quilombolas, o número saltou de 95.409 para 188.371 eleitoras e eleitores, crescimento de 92.962 pessoas.

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O tribunal ressalta que os dados devem ser interpretados à luz da ampliação do cadastro eleitoral. 

Informações como raça, etnia indígena, pertencimento a comunidades quilombolas ou tradicionais, identidade de gênero, língua falada e uso de Libras passaram a ser coletadas apenas a partir de novembro de 2022 e são preenchidas por autodeclaração. Por isso, a atualização ocorre de forma gradual, conforme o eleitor realiza novos atendimentos junto à Justiça Eleitoral.

O TSE destaca que o crescimento registrado entre 2024 e 2026 não representa apenas um aumento do número de indígenas e quilombolas aptos a votar, mas também o avanço da qualificação do cadastro eleitoral.

Como as informações são autodeclaratórias e começaram a ser coletadas após as eleições gerais de 2022, a tendência é que os registros continuem aumentando à medida que mais pessoas atualizem seus dados junto à Justiça Eleitoral, permitindo que as estatísticas retratem com maior precisão a diversidade do eleitorado brasileiro.

Leia mais: Conheça os pré-candidatos negros à Presidência nas eleições de 2026

Norte concentra maior eleitorado indígena

Entre os povos indígenas, a Região Norte segue concentrando o maior número de eleitoras e eleitores. O total passou de 74.506 registros em 2024 para 136.978 em 2026, crescimento de 83%, o que representa quase metade do eleitorado indígena do país.

O Nordeste aparece na sequência, com aumento de 35.440 para 71.346 pessoas. No Sudeste, o crescimento proporcional foi o maior entre as regiões: o número de eleitores indígenas passou de 9.790 para 20.251, alta de 107%.

Entre os estados, o Amazonas registrou o maior crescimento absoluto, ao passar de 37.359 para 73.580 eleitores indígenas. Pernambuco, Roraima, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará também aparecem entre os maiores aumentos.

Os dados do TSE também permitem identificar as etnias com maior número de eleitoras e eleitores autodeclarados. Os maiores contingentes pertencem aos povos Tikúna (19.062), Makuxí (14.935), Kokama (12.551), Xucuru (10.295), Kaingang (9.152), Xavante (9.014), Tenetehara (8.499), Mundurukú (7.839), Guarani Kaiowá (7.546) e Terena (6.720).

Eleitorado quilombola quase dobra

No caso das comunidades quilombolas, o Nordeste concentra o maior contingente do país. A região passou de 51.633 eleitoras e eleitores em 2024 para 95.901 em 2026, crescimento de 85%, o maior em números absolutos.

O Sudeste apresentou a maior alta proporcional. O eleitorado quilombola subiu de 17.638 para 45.305 pessoas, acréscimo de 157%. No Norte, o total passou de 17.895 para 32.853 registros. Centro-Oeste e Sul também registraram crescimento.

Entre os estados, Minas Gerais lidera o aumento absoluto. O estado passou de 12.712 para 31.487 eleitoras e eleitores quilombolas, com acréscimo de 18.775 pessoas.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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