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‘Fechamentos de sistema no Brasil intensificam violência racial’: analista destaca presença do movimento negro em atos contra a anistia

Em entrevista à Alma Preta, o pesquisador e ativista Juarez Xavier explica a importância da presença de movimentos negros nos atos contra a a anistia e a “PEC da Blindagem”
Vista aérea do protesto contra a “PEC da Blindagem” na cidade de São Paulo, no dia 21 de setembro de 2025.

Vista aérea do protesto contra a “PEC da Blindagem” na cidade de São Paulo, no dia 21 de setembro de 2025.

— Nelson Almeida/ AFP

22 de setembro de 2025

Nas capitais do país, milhares de pessoas foram às ruas, no domingo (21), em protesto contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2021, apelidada de “PEC da Blindagem”, e contra a anistia a condenados por tentativa de golpe de Estado. 

A PEC da Blindagem foi aprovada em regime de urgência pela Câmara dos Deputados na última quarta-feira (17), com amplo apoio da direita e por meio de manobra regimental. A proposta condiciona a abertura de processos criminais e prisões contra parlamentares à aprovação do próprio Congresso, a ser realizada por votação secreta.

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As manifestações ocorreram em 33 cidades, incluindo capitais como Salvador, Recife, Natal, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e São Paulo. Na capital paulista, o ato reuniu mais de 42 mil pessoas.

Em entrevista à Alma Preta, Juarez Xavier, ativista, doutor e diretor da Faculdade de Artes, Arquitetura, Comunicação e Design (Faac), da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), destaca a participação de organizações do movimento negro nos atos. 

Para o professor, a presença nesses espaços é também uma forma de enfrentar os processos históricos de violência e repressão contra a população negra. 

“Todas as vezes em que houve na história brasileira um fechamento do sistema político, intensificou-se a violência ao negro, criando uma lógica de repressão, judicialização, encarceramento e aniquilamento”, afirmou.

Xavier recorda que as manifestações contemporâneas abriram um espaço para que o protagonismo e as demandas da população negra estivessem inseridas nos ambientes de construção política.

“O movimento negro pautou essa discussão e participou como protagonista em vários desses eventos. Isso é importante porque, ao trazer a questão racial para o centro do debate, assegura-se que outros segmentos compreendam sua dimensão estrutural”.

O pesquisador destaca ainda que a mobilização atual cumpre papel estratégico, com potencial de projetar novas articulações no futuro. Ele aponta que, diante do avanço da extrema-direita, o movimento negro assume protagonismo em uma frente ampla.

“É importante participar desses eventos. A participação do movimento foi importante e teve um papel político central, que pode projetar aspectos positivos do ponto de vista da articulação política futura. Hoje, nós temos uma frente de interesse contra a extrema-direita, porque ela é retroalimentadora da brutalidade e da violência que provocam o aniquilamento racial no Brasil”, conclui.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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