PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Flipei denuncia censura do governo Nunes e muda local do evento

Instituição aponta quebra de contrato do evento com abertura marcada para quarta-feira (6); feira foi desalojada e terá novo local divulgado em breve
Cartaz de divulgação da Festa Literária Pirada das Editorias Independentes (Flipei) que ocorre em São Paulo.

Cartaz de divulgação da Festa Literária Pirada das Editorias Independentes (Flipei) que ocorre em São Paulo.

— Reprodução/Rede Social

4 de agosto de 2025

A Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) denunciou a gestão de Ricardo Nunes (MDB) de São Paulo por censura, após o cancelamento do contrato que autorizava o uso da Praça das Artes para a realização do evento. A feira está prevista para acontecer de quarta-feira (6) a domingo (10). 

Segundo nota divulgada pela organização no domingo (3), a decisão foi comunicada na noite da sexta-feira (1º), às vésperas do evento, por meio de ofício enviado pela Fundação Theatro Municipal (FTM), responsável pela gestão do espaço. A organização afirma que o cancelamento viola cláusulas contratuais e compromete a logística do evento, cuja montagem estava prevista para os dias 4 e 5 de agosto.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

“Estamos movendo medidas judiciais e políticas para responsabilizar a FTM, sua direção, a Secretaria de Cultura e a Prefeitura de São Paulo por esse ato autoritário absurdo de censura”, afirma a nota.

A organização afirma que a decisão rompe um contrato assinado há cinco meses e que previa a necessidade de notificação prévia em caso de rescisão. Apesar do cancelamento, a Flipei garantiu a realização da edição 2025 em outros espaços de São Paulo. “A Flipei 2025 vai acontecer, nos mesmos dias e horários, em outros espaços de resistência, que serão divulgados em breve”, afirma a nota.

A direção do evento também critica o que considera uma tentativa de silenciar a programação da feira. “A Flipei é uma festa pirata porque recusa o naufrágio cultural imposto pelo conservadorismo neoliberal e pela elitização do mercado, e insiste em construir um espaço de diversidade, crítica e imaginação de outros futuros possíveis”, acrescentou a nota. 

Em nota oficial, a Fundação Theatro Municipal aponta que o evento teria “conteúdo e finalidade de cunho político-ideológico”. “No lugar de um festival para promover a literatura independente, de grande valia, a feira tinha em sua programação conteúdo exclusivamente de apelo ideológico, com indisfarçável viés eleitoral. Por este motivo, a fundação suspendeu o evento por entender que seus organizadores usariam uma estrutura pública para interesses políticos e eleitorais”, diz o texto.

A edição deste ano da Flipei prevê a participação de 220 editoras, mais de 40 debates com convidados nacionais e internacionais, além de shows, bailes, atividades para crianças e lançamentos de livros. Entre os nomes confirmados estão Silvia Cusicanqui, Louisa Yousfi, Cynthia McLeod, Judith Sánchez Ruíz e Ilan Pappé.

Também participam do evento artistas e personalidades como Rincon Sapiência, Leci Brandão, Jamil Chade, Laura Sabino, Jones Manoel, Ediane Maria, Milly Lacombe e Thiago Ávilla.

Com informações do Brasil de Fato. 


Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Thayná Santana

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano