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Movimento negro aciona ONU por PEC que prevê indenização pela escravidão 

Proposta de mecanismo faz parte da PEC da Reparação, em tramitação no Congresso Nacional
Representantes da UNEafro Brasil no Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, que ocorre entre 14 e 17 de abril em Genebra, na Suíça.

Representantes da UNEafro Brasil no Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, que ocorre entre 14 e 17 de abril em Genebra, na Suíça.

— Divulgação

15 de abril de 2026

Após a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovar proposta de Gana que reconheceu a escravidão transatlântica como o mais grave crime contra a humanidade, foi a vez do movimento negro brasileiro pressionar por uma manifestação internacional em apoio à PEC da Reparação, que prevê a cobrança de indenizações de empresas que lucraram com a escravidão. 

Durante o Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, que ocorre entre 14 e 17 de abril em Genebra, na Suíça, representantes da comitiva brasileira pediram que o organismo envie uma carta oficial às autoridades brasileiras defendendo a aprovação da PEC em tramitação no Congresso Nacional. 

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O pedido é para que a manifestação seja encaminhada ao presidente da Câmara, Hugo Motta, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, com o objetivo de reforçar a necessidade de avanço da proposta e dar respaldo internacional ao debate sobre reparação histórica no Brasil. 

A PEC 27/2024 cria o Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial (FNREPIR), um mecanismo financeiro permanente voltado à redução das desigualdades raciais. A proposta prevê que o fundo seja abastecido por diferentes fontes, além das indenizações de empresas que lucraram com a escravidão, doações internacionais, dotações orçamentárias da União e outras formas legais de financiamento. 

Leia mais: ‘Reparação Já’: campanha defende aprovação de PEC que cria fundo para igualdade racial

A proposta já foi aprovada em Comissão Especial. Para que ela passe a integrar a Constituição Federal, no entanto, ainda é preciso que ela seja aprovada em dois turnos, nas duas casas do Congresso Nacional, com pelo menos 3/5 de votos favoráveis em cada casa. 

Nos bastidores, a composição do colegiado é considerada sensível, com parlamentares de diferentes espectros políticos articulando posições sobre o tema, o que tem mobilizado organizações do movimento negro e entidades da sociedade civil. 

Para as lideranças que participam do Fórum da ONU, uma manifestação oficial do organismo internacional pode ampliar a pressão política e dar maior legitimidade ao debate sobre reparação histórica no país, especialmente em um momento em que a proposta enfrenta resistências e disputas no Congresso. 

A estratégia também dialoga com o avanço do tema no cenário internacional. Recentemente, a República de Gana apresentou uma proposta na Assembleia Geral da ONU para reconhecer o tráfico transatlântico e a escravidão de africanos como o maior crime contra a humanidade.

A iniciativa foi anunciada pelo presidente ganês, John Dramani Mahama, durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, e vem mobilizando países e organizações da diáspora africana.

Leia mais: ONU aprova reconhecimento da escravidão como o mais grave crime contra a humanidade

No Brasil, a Coalizão Negra por Direitos lançou um manifesto pedindo apoio do governo brasileiro à iniciativa, confirmado durante aprovação da proposta. Ao apoiar formalmente a ação de Gana, o país ocupou papel central no debate global sobre reparações, por ter sido o principal destino de africanos escravizados nas Américas e por abrigar a maior população afrodescendente fora do continente africano.

Nos bastidores, lideranças avaliam que a articulação junto à ONU pode conectar a discussão brasileira ao movimento internacional por justiça reparadora, ampliando o peso político da PEC da Reparação e inserindo o tema no campo das recomendações internacionais de direitos humanos. 

Com informações do Instituto de Referência Negra Peregum.

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