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Mulheres negras de MG se organizam para marcha nacional em Brasília

Audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) reforça mobilização estadual para a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, marcada para 25 de novembro
Grupo de mulheres negras em audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Grupo de mulheres negras em audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

— Daniel Protzner/ALMG

16 de julho de 2025

Com o tema “Por reparação e bem viver”, a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras será realizada em 25 de novembro de 2025, em Brasília. O ato pretende reunir ao menos um milhão de mulheres de todo o Brasil e já mobiliza lideranças em Minas Gerais. Na terça-feira (15), a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma audiência pública para debater e articular a participação do estado na marcha.

A iniciativa é considerada um dos maiores atos políticos protagonizados por mulheres negras no país. Em sua primeira edição, em 2015, o evento reuniu cerca de 100 mil pessoas. Deputadas estaduais, lideranças comunitárias, ativistas e representantes de instituições públicas e movimentos sociais defenderam a importância de uma articulação sólida no estado, especialmente pela proximidade geográfica com o Distrito Federal.

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A audiência foi requerida pelas deputadas estaduais Leninha (PT-MG), 1ª vice-presidenta da ALMG, Andréia de Jesus (PT) e Ana Paula Siqueira (Rede-MG). Andréia de Jesus destacou que, apesar de alguns avanços nos últimos anos, como a presença de mulheres negras na direção de espaços institucionais, as pautas continuam as mesmas.

“Ainda precisamos de mais mulheres nos espaços de poder para assim conseguir enfrentar o racismo e o machismo”, afirmou em sessão da ALMG.

Leninha reforçou que sua trajetória política se construiu no interior do estado, em articulação com o movimento negro. A deputada também lembrou que ainda enfrenta dificuldades no exercício do cargo, mesmo sendo a primeira mulher negra a integrar a Mesa Diretora da Assembleia.

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edilene Lôbo, também participou da audiência e afirmou que uma democracia autêntica deve incluir as maiorias populacionais. “Apesar disso, nossa representação ocupa porção ínfima e inautêntica”, observou.

Relatos de luta e resistência

Várias representantes de movimentos sociais usaram a audiência para relatar desafios históricos e atuais enfrentados pelas mulheres negras. A advogada Cibele Queiroz, da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil – Minas Gerais (OAB-MG), afirmou que a marcha será uma forma de exigir a efetividade dos direitos que muitas vezes lhes são negados. “Só nós sabemos que o marcador racial influi na modificação, suspensão e até exclusão dos nossos direitos.”

Benilda Regina, conselheira do governo federal, chamou atenção para formas contemporâneas de exclusão como o racismo algorítmico e ambiental. Makota Celinha, do Cenarab, apontou que o objetivo da marcha é também denunciar desigualdades históricas: “O que os brancos têm hoje foi herança do que foi arrancado dos negros.”

O Coletivo Roda das Pretas tem articulado comitês de mobilização em diversas regiões de Minas Gerais, como Triângulo, Zona da Mata, Jequitinhonha, Mucuri e Vale do Rio Doce. A representante Elisabeth Oliveira apontou que o desafio atual é intensificar a organização na capital e na região metropolitana.

Ao fim da audiência, a coordenadora do Movimento Negro Unificado de BH, Simone Esterlina, entregou uma homenagem à deputada Andréia de Jesus pela atuação no combate ao racismo e na valorização da população negra.


Texto com informações da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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