O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta quarta-feira (15), no Palácio do Planalto, representantes das centrais sindicais. Os trabalhadores entregaram ao presidente uma pauta unificada com 68 reivindicações, entre elas o fim da escala 6×1.
A jornada 6×1 submete trabalhadores a seis dias de trabalho para um dia de descanso. A proposta do governo reduz a carga horária de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário. Na prática, a medida garante um dia a mais de descanso semanal.
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Os sindicatos organizaram, em Brasília, a “Marcha da Classe Trabalhadora“. Milhares de pessoas percorreram a Esplanada dos Ministérios em apoio à redução da jornada.
Lula enfatizou aos sindicalistas a necessidade de pressão dos trabalhadores sobre o Congresso. O presidente enviou o projeto em regime de urgência. “Vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar pelos trabalhadores que vocês representam”, afirmou.
O presidente relacionou o avanço tecnológico ao aumento da produtividade. Ele questionou por que esses ganhos não se converteram em melhores condições para os trabalhadores. Lula defendeu que esse processo resulte em mais descanso, redução da jornada e melhoria na renda.
“Não tem tempo fácil. É sempre muito sacrifício. E cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, é preciso saber que vocês têm que ajudar”, justificou.
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Negociação coletiva e pejotização
Lula também assinou a mensagem de encaminhamento ao Congresso do projeto de lei que regulamenta a negociação coletiva no setor público.
O texto estabelece regras para o direito à negociação no serviço público em todas as esferas (União, estados, municípios e Distrito Federal). A medida abrange trabalhadores concursados da administração direta e autárquica.
O presidente fez um alerta sobre o cenário atual. “Os inimigos estão à espreita. Eles não desapareceram”, afirmou. Ele criticou a estratégia de enfraquecimento do movimento sindical.
“Eles fizeram com vocês o que nós queremos fazer com o crime organizado. Se quiser acabar com o crime organizado, temos que asfixiar a economia deles. E eles trataram o movimento sindical assim: vamos asfixiá-lo”, completou.
Lula também defendeu reação das entidades contra a pejotização. “As centrais sindicais têm que marcar uma reunião com o ministro Gilmar [Mendes, do STF] para dizer que a pejotização não ajuda o trabalhador, não ajuda o país, o Fundo de Garantia, a Previdência Social”, afirmou. Ele ainda questionou “a quem interessa a pejotização?”.
A proposta emergencial do governo pelo fim da escala 6×1 terá que avançar no Congresso, de maioria conservadora. Janio Pires, diretor do Sinttel, sindicato de trabalhadores de telecomunicações, falou à AFP sobre a proposta.
“A gente entende que é possível as empresas poderem ajustar isso, fazer com que as empresas não percam, e a população trabalhadora possa ganhar”, defendeu.
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