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Sueli Carneiro será homenageada pela Câmara dos Deputados com o Diploma Mulher-Cidadã 2025

Filósofa e ativista antirracista integra lista de agraciadas pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher por sua trajetória na defesa dos direitos das mulheres negras; cerimônia ocorrerá em outubro
A filósofa e militante Sueli Carneiro.

A filósofa e militante Sueli Carneiro.

— Alile Dara Onawale

12 de setembro de 2025

A filósofa, escritora e ativista Sueli Carneiro será homenageada em outubro pela Câmara dos Deputados com o Diploma Mulher-Cidadã Carlota Pereira de Queirós, edição de 2025. A solenidade ocorrerá em 29 de outubro, às 11h, no Plenário, em sessão organizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CMULHER).

A indicação foi feita pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que celebrou a escolha em seu perfil no Instagram. Segundo a parlamentar, a premiação reconhece uma vida dedicada à luta contra o racismo e o sexismo no Brasil.

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“Por toda a sua caminhada de lutas e conquistas, eu tive a honra de indicá-la junto à Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e, hoje, recebo a notícia que ela será uma das agraciadas na edição de 2025”, publicou Benedita.

Com mais de quatro décadas de atuação no Movimento Negro brasileiro, Sueli Carneiro se consolidou como uma das principais vozes do feminismo negro no país. Em 1987, assumiu a coordenação do Programa Mulher Negra no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), órgão ligado ao Ministério da Justiça. Nesse período, organizou o Tribunal Winnie Mandela, que discutiu o centenário da abolição da escravidão sob a perspectiva das mulheres negras.

No ano seguinte, fundou, junto a outras militantes, o Geledés – Instituto da Mulher Negra, pioneiro na defesa institucionalizada dos direitos das mulheres negras. A organização passou a atuar em várias frentes: denúncias de violência, ações judiciais, projetos educativos e iniciativas de advocacy que deram visibilidade à discriminação racial e de gênero.

Além de sua produção intelectual, Sueli Carneiro influenciou gerações de pesquisadoras, ativistas e políticas, consolidando um legado de mobilização social e produção crítica sobre a desigualdade estrutural no Brasil.

O significado do Diploma Mulher-Cidadã

Criado em 2003 pela Resolução nº 3 da Câmara dos Deputados, o Diploma Mulher-Cidadã Carlota Pereira de Queirós reconhece mulheres que contribuíram de forma significativa para a cidadania e os direitos das mulheres.

Desde 2016, a escolha das agraciadas é responsabilidade da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CMULHER), que analisa as indicações apresentadas por parlamentares.

A premiação presta homenagem a Carlota Pereira de Queirós (1892–1982), médica e pedagoga que marcou a história política brasileira como a primeira deputada federal eleita. 

Eleita em 1934 pelo estado de São Paulo, participou da Assembleia Nacional Constituinte e defendeu pautas relacionadas à educação, à infância e aos direitos das mulheres. Sua trajetória consolidou um marco para a representação feminina no Congresso Nacional.

Outras agraciadas em 2025

Além de Sueli Carneiro, outras quatro mulheres serão homenageadas com o Diploma Mulher-Cidadã em 2025. Entre elas está Anna Maria Rattes, deputada federal entre 1987 e 1991, que integrou a Assembleia Nacional Constituinte responsável pela elaboração da Constituição de 1988. Sua indicação foi feita pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ).

A liderança indígena Sofia Maxakali, do povo Tikmũ’ũn, também figura entre as agraciadas. O grupo, mais conhecido como Maxakali, é originário de regiões que abrangem os atuais estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. Sofia foi indicada pelos deputados Célia Xakriabá (PSOL-MG) e Chico Alencar (PSOL-RJ).

Outra homenageada é a delegada Elaine Matozinhos, de Minas Gerais, que se destacou na criação de estruturas especializadas e na consolidação de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. Sua indicação foi apresentada pela deputada Delegada Ivone (Avante-MG).

Completa a lista de 2025 a professora Elda Coelho de Azevedo Bussinguer, da Universidade Federal do Espírito Santo, que se dedicou a projetos relacionados à defesa do direito à saúde, à educação e ao meio ambiente. Ela foi indicada pela deputada Jack Rocha (PT-ES).

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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