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Dia de Nelson Mandela: líder revolucionário usou a educação como uma ferramenta poderosa contra o racismo

Diversos foram os ensinamentos deixados na luta pelo fim do ódio como intermediador das relações humanas. E a educação se destacou na sua visão humanista
O líder político Nelson Mandela.

O líder político Nelson Mandela.

— Reprodução/Redes sociais

18 de julho de 2025

A Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), em 2009, declarou 18 de julho como o Dia Internacional Nelson Mandela, mesma data de aniversário do líder político. Mandela simboliza a luta contra o Apartheid, sistema político de segregação racial iniciado em 1948, e abolido em 1994. Relembrar a sua trajetória é essencial para inspirar todas as pessoas comprometidas com uma sociedade igualitária.

Madiba, como era conhecido, nasceu em 1918, na aldeia de Mvezo no Transkei, África do Sul. Frequentou o curso de Direito na prestigiada Universidade de Fort Hare, em Johanesburgo, e foi o primeiro advogado negro na cidade. O Apartheid entrou em vigor com a vitória do Partido Nacionalista Africâner. O ódio à população negra não encontrou limites. 

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Diante dessa realidade, Nelson Mandela se aprofundou em estudos marxistas, socialistas e pan-africanistas; a revolta contra o governo só aumentava. Então, ingressou no Conselho Nacional Africano (CNA), na época uma instituição política que trabalhava com petições. Sob a influência de Madiba e o contexto de opressão, a instituição começou uma luta armada. 

Àquela altura o governo promovia um banho de sangue, mas foi o Massacre de Shaperville que elevou a temperatura dos insurgentes. O massacre feito pela polícia resultou na morte de dezenas de pessoas negras, entre centenas de feridos. Os civis negros simplesmente estavam exigindo o fim da Lei do Passe, que limitava a circulação deles no país.

Mandela se reuniu com diversos políticos e ativistas de outros países, além de participar de treinamentos militares na Europa e África. Ele usava disfarces para escapar das autoridades que o procuravam. No entanto, a polícia o prendeu em 1962. Após dois anos, foi condenado pelo crime de sabotagem: prisão perpétua mais cinco anos.

O mundo reconhecia a sua importância. Inúmeros movimentos aconteceram exigindo a liberdade de Madiba. Vinte e sete anos se passaram, e somente em 1990 a liberdade foi concedida. Nos anos seguintes, conquistou a presidência do CNA, ganhou o Prêmio Nobel da Paz e alcançou o posto de presidente da África do Sul. Faleceu aos 95 anos.

Diversos foram os ensinamentos deixados na luta pelo fim do ódio como intermediador das relações humanas. E a educação se destacou na sua visão humanista, como disse em diversas ocasiões: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.” 

Quem estuda o tema sabe muito bem que essa abordagem é incontestável. Os seres humanos são inacabados, o nosso aprendizado é permanente e acompanha-nos por toda a vida. A educação constrói visões políticas tanto para o bem como para o mal, depende da intenção dos sujeitos que a elaboram. Ademais, se pensarmos na realidade do Brasil, onde o autoritarismo e os discursos de ódio não descansam, não há outro caminho civilizatório que dispense a educação. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BOEHMER, Elleke. Mandela: O homem, a história e o mito. Tradução: Denise Bottmann. Porto Alegre, RS: L&PM, 2014.

MANDELA, Nelson. Autobiografia de Nelson Mandela – Um longo caminho para a liberdade. Lisboa: Planeta, 2009.

A editoria Quilombo reúne textos opinativos. Este é um artigo de opinião e não representa necessariamente a visão da Alma Preta sobre quaisquer temas.

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  • Ricardo Correa

    Estudante de Matemática, graduado em Tecnologia Industrial e pós-graduado em Educação. Ex-líder comunitário na periferia da zona leste de São Paulo e consultor na área de eletrônica.

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