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Margem Viva: a engenharia que nasce da margem para redefinir o impacto social

Mais do que um estúdio, a Margem Viva é uma resposta à necessidade de transformar boas ideias em sistemas sustentáveis
Meninos do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte (MG).

Meninos do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte (MG).

— Reprodução/Rafael Freire

12 de outubro de 2025

A Margem Viva chega para estruturar e ampliar o impacto de iniciativas na periferia urbana, propondo uma inversão poderosa na lógica tradicional do desenvolvimento social. Em vez de tratar a periferia como ponto de chegada das políticas públicas, o estúdio de projetos fundado por Camila Santos parte da convicção de que é nas bordas que surgem as soluções mais criativas, resilientes e transformadoras, e que essas soluções precisam ser estruturadas, financiadas e reconhecidas.

Voltada para conectar investidores e marcas a iniciativas sociais, a Margem Viva faz uso de ferramentas da engenharia, tecnologia e gestão de projetos para dar escala ao impacto e promover prosperidade nos territórios urbanos periféricos. Na prática, o estúdio atua como uma plataforma de operações sociais que sistematiza e amplia o alcance de práticas já existentes, garantindo que ações locais ganhem transparência, eficiência e reconhecimento como modelos de futuro.

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Com base em cinco eixos fundamentais, dados e operações, projetos estruturados, impacto em tempo real, formação e diálogo, e transformação de intenções em impacto, a Margem Viva une a força da tecnologia com a sensibilidade das narrativas. O primeiro eixo transforma práticas periféricas em operações digitais, com uso de dashboards, inteligência artificial e automação, garantindo eficiência e transparência.

O segundo estrutura iniciativas locais para que se tornem projetos claros, replicáveis e mensuráveis. O terceiro permite o monitoramento contínuo dos resultados por meio de indicadores digitais, comprovando o impacto em tempo real. O quarto promove oficinas e laboratórios que fortalecem lideranças comunitárias e ampliam sua capacidade de gestão. E o quinto traduz boas intenções em impacto mensurável, conectando marcas, institutos e territórios em operações sustentáveis.

Para Camila Santos, engenheira de projetos e fundadora da iniciativa, a Margem Viva representa a consolidação de uma trajetória de mais de uma década no campo do impacto social.

A engenheira Camila Santos, fundadora do Margem Viva. Foto: Dayse Pacífico

“A Margem Viva nasce da urgência de inverter a narrativa que historicamente reduz a periferia a mercado consumidor. Queremos dar escala e sustentabilidade à sua potência de inovação. Nossa missão é conectar dados, tecnologia e criatividade para fortalecer quem já transforma os territórios diariamente, garantindo que essas iniciativas não apenas resistam, mas cresçam e inspirem inovação social, como vêm fazendo há anos”.

Mais do que um estúdio, a Margem Viva é uma resposta à necessidade de transformar boas ideias em sistemas sustentáveis. É a prova de que a engenharia e a gestão, quando colocadas a serviço do social, podem se tornar ferramentas de emancipação e de futuro. Em um país que historicamente invisibiliza as potências das margens, estruturar o que vem delas é, antes de tudo, um ato político. A Margem Viva nasce para que o que já é vivo nas periferias ganhe estrutura, visibilidade e permanência e para mostrar que o futuro da inovação social brasileira começa exatamente onde sempre existiu: na margem.

A editoria Quilombo reúne textos opinativos. Este é um artigo de opinião e não representa necessariamente a visão da Alma Preta sobre quaisquer temas.

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  • Felipe Ruffino

    Felipe Ruffino é jornalista, pós-graduado em Assessoria de Imprensa e Gestão da Comunicação, possui a agência Ruffino Assessoria e ativista racial, onde aborda pautas relacionada à comunidade negra em suas redes sociais @ruffinoficial.

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