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Iniciativa reúne mais de 100 pesquisadores para restaurar ecossistemas da Amazônia

O Projeto Capoeira, coordenada pela Embrapa, investirá R$ 14 milhões em estudos integrados e laboratórios vivos com foco em biodiversidade, clima e justiça social
Vista aérea de uma área da floresta amazônica desmatada por incêndio ilegal no município de Lábrea, estado do Amazonas, Brasil, em 20 de agosto de 2024.

Vista aérea de uma área da floresta amazônica desmatada por incêndio ilegal no município de Lábrea, estado do Amazonas, Brasil, em 20 de agosto de 2024.

— Evaristo SA/AFP

4 de junho de 2025

A Amazônia Legal passa a contar com o Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental, batizado de Capoeira. Coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental, o projeto reúne mais de 100 pesquisadores de 33 instituições nacionais e internacionais, e terá sede em Belém (PA). O investimento é de R$ 14 milhões, oriundos do edital Pró-Amazônia, do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq).

O Capoeira atuará de forma integrada e virtual entre universidades, órgãos públicos, ONGs, empresas e coletivos locais. O objetivo é articular ciência, conhecimento tradicional e ação direta para enfrentar os impactos do desmatamento e da degradação da floresta.

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Estratégias de restauração

O projeto analisará mais de 100 áreas de estudo em diferentes estados da Amazônia Legal. Os locais incluem florestas secundárias, florestas primárias degradadas, sistemas agroflorestais e áreas aquáticas. O trabalho incluirá avaliação de recuperação da biodiversidade e estoques de carbono, com base em métodos variados de restauração ecológica.

Para isso, a iniciativa utilizará diferentes estratégias para restaurar áreas degradadas da Amazônia. Entre elas, está a regeneração natural, que permite o crescimento espontâneo da vegetação nativa em áreas já impactadas. 

Outra abordagem será a regeneração assistida, quando se realiza o enriquecimento das áreas com plantio de espécies nativas e aplicação de práticas de manejo. Também será empregada a técnica de plantio total ou semeadura direta, indicada para regiões onde a cobertura vegetal já foi completamente eliminada.

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) compõem outra estratégia central. Eles visam aumentar o número de árvores nas paisagens, inclusive nas áreas agrícolas, conciliando necessidades ecológicas e demandas econômicas de agricultores familiares e povos da floresta. 

Dados de estudos anteriores apontam os SAFs como a estratégia mais aplicada na região (representando 38% das iniciativas), seguidos pela regeneração natural (30%) e pelos plantios florestais (20%).

Laboratórios vivos nos territórios

Uma das principais ações do Capoeira será a criação de laboratórios vivos, ou “living labs”, voltados para a troca de experiências e validação de práticas de restauração em parceria com comunidades locais. Esses espaços funcionarão com base em inovação aberta, possibilitando a co-construção do conhecimento entre pesquisadores e populações tradicionais.

Os laboratórios serão implantados em três territórios estratégicos da Amazônia. O primeiro deles é a região de Santarém, no oeste do Pará, que abrange a Floresta Nacional do Tapajós, a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns e assentamentos rurais. O segundo território é o mosaico do Gurupi, composto por Unidades de Conservação e Terras Indígenas nos estados do Pará e Maranhão. O terceiro é o nordeste paraense, que inclui municípios como Bragança, Capitão Poço, Irituia, Paragominas e Tomé-Açu.

Esses territórios foram escolhidos por sua diversidade socioambiental e por já contarem com parcerias estabelecidas entre comunidades locais e instituições de pesquisa. Serão utilizados como espaços de escuta e construção coletiva de estratégias de recuperação com foco biocultural.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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